Porto (PSSA3): por que ações caíram forte mesmo após lucro acima das expectativas?

Seguradora reportou resultados do quarto trimestre desta manhã

Felipe Moreira

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Sede da Porto (PSSA3), antiga Porto Seguro, no centro de São Paulo (Foto: Divulgação)
Sede da Porto (PSSA3), antiga Porto Seguro, no centro de São Paulo (Foto: Divulgação)

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As ações da Porto (PSSA3) fecharam com forte baixa nesta quinta-feira (5), apesar da seguradora ter reportado lucro líquido de R$ 838,7 milhões no quarto trimestre de 2025, acima das estimativas do mercado.

Ainda assim, o resultado foi beneficiado por efeitos não recorrentes, ligados a reorganizações societárias e mudanças contábeis que reduziram de forma relevante a alíquota efetiva de imposto no trimestre, o que ajuda a explicar a reação negativa das ações no pregão.

Os papéis da seguradora recuaram 3,73%, cotadas a R$ 50,57.

Viva do lucro de grandes empresas

Na avaliação do Bradesco BBI, a Porto Seguro apresentou tendências mistas, apesar do resultado acima do esperado, devido a mudanças contábeis e uma alíquota de imposto menor.

Do lado positivo, o BBI destaca os melhores resultados na vertical Porto Saúde, com a redução do índice de sinistralidade superando as expectativas.

No lado negativo, o banco observa tendências de piora na qualidade dos ativos na vertical Porto Bank, o que levou à compressão da margem de intermediação financeira ajustada ao risco, enquanto uma alíquota de imposto significativamente menor impulsionou o resultado acima do esperado na vertical Porto Serviço.

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Diante desse cenário e das projeções recentemente anunciadas, o BBI avalia que há riscos de queda em suas estimativas. No entanto, o banco reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 62.

O JPMorgan também destaca que os resultados da Porto foram beneficiados por uma alíquota efetiva de imposto baixa, de 14%, o que, se ajustado, levaria o EBT (lucro antes de juros) a ficar aproximadamente em linha com as projeções. O JPMorgan também considera adequado adicionar de volta R$ 82 milhões em PIS/Cofins.

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Mais relevante, o guidance para 2026 implica lucro de R$ 3,65 bilhões no ponto médio, em linha com as estimativas do JPMorgan. Além dos efeitos tributários na área de saúde, houve outros fatores relevantes no trimestre: (1) o consórcio passou a adotar um novo método de diferimento, com impacto negativo estimado de cerca de R$ 200-300 milhões em receitas, compensado por um efeito positivo estimado de R$ 350-400 milhões em comissões, além de outros custos ainda pouco claros; (2) o giro da carteira de investimentos afetou negativamente o resultado financeiro em R$ 50 milhões; (3) ganhos tributários registrados em “outros efeitos” da conciliação fiscal, que o JPMorgan acredita estar ligados à reavaliação de ativos fiscais diferidos (DTA) diante da nova alíquota, como observado em Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11); (4) o novo guidance do banco incorpora despesas com cartões dentro da receita, e não mais nas despesas operacionais; e (5) ganhos de R$ 30 milhões com amortização na Porto Serviço após a incorporação da CDF e da Porto Assistência.

No campo operacional, o JPMorgan disse que chamou atenção a expectativa de desaceleração dos prêmios na área de Saúde para 14%-22% em 2026 ante 21% no 4T25 e provisões mais altas no banco, de R$ 2,7 a 3,1 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões na estimativa do JPMorgan.

Por outro lado, o resultado financeiro projetado em R$ 1,4 a 1,8 bilhão deve ajudar a sustentar o crescimento anual do lucro. No conjunto, trata-se de um trimestre “poluído”, mas neutro na visão do JPMorgan, com a desaceleração da receita e a qualidade dos ativos entre os principais pontos de atenção para 2026.

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A ação da Porto Seguro (PSSA3) negocia a cerca de 9,3 vezes o lucro estimado para 2026. Com isso, o JPMorgan reiterou classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 57.