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SÃO PAULO – Você já reparou que, via de regra, a notícia de que uma empresa realizará uma emissão de ações no mercado derruba o preço dos papéis que já são negociados em bolsa? Um caso recente foi o de Fibria (FIBR3) e Suzano Papel (SUZB5) que recuaram forte no pregão de 24 de fevereiro, em meio às especulações de que as companhias poderiam realizar ofertas de ações.
Mas você já se perguntou por que isso acontece? Qual a relação deste tipo de anúncio com a queda dos papéis? Segundo o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger diversos fatores ajudam a explicar esse movimento. O primeiro ponto e o mais fundamental, segundo ele, é que, com a notícia de uma oferta, o investidor passa a questionar a saúde financeira da companhia.
“O investidor tem dúvida do motivo que levou a empresa a buscar recursos no mercado e muitas vezes a oferta é vista como uma necessidade de captação por problemas financeiros”, explica Brugger. No caso de Fibria e Suzano, de uns tempos para cá, o alto endividamento de ambas tem sido um motivo de preocupação para os investidores, e os boatos sobre uma possível nova capitalização no mercado de ações gerou mais apreensão, levando investidores a se desfazerem desses ativos na bolsa.
Diluição de capital
Outro fator apontado pelo analista é que a nova emissão provoca um aumento da oferta das ações no mercado, o que, por consequência, dilui a participação dos atuais acionistas que optarem por não comprar os novos papéis. Contudo, para aderir à oferta, é natural que esse investidor queira pagar um valor menor pela ação do que aquele negociado no mercado, afirma Brugger.
Como a precificação das novas ações é feita com base na cotação dos papéis já negociados em bolsa, o mercado como um todo deseja puxar os preços para baixo, na expectativa de influenciar o valor numa colocação pública.
Menor dividendo por ação
Essa dispersão dos acionistas no capital social da empresa tem reflexo direto em fatores como o dividendo pago por ação, ou seja, o investidor pode receber uma quantia menor em dividendos ou juros sobre capital próprio caso ele opte por não aderir à oferta de ações realizada pela companhia. Isso porque o valor que cada acionista recebe advem da quantidade de papéis que ele possui dessa empresa.
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Um exemplo hipotético ajuda a ilustrar tal situação: se uma empresa, com 100 milhões de ações no mercado, propõe a distribuição de R$ 100 milhões em dividendos, o valor pago será de R$ 0,10 por papel. Então, se empresa emitir 100 milhões de novas ações e continuar distribuindo os mesmos R$ 10 milhões em dividendos, o valor por ação caíra a metade, para R$ 0,05.
“Overhang”
Importante reforçar ainda que a injeção de mais ações no mercado pode trazer distorções entre oferta e demanda, provocando um fenômeno que os analistas chamam de “overhang” – ou excesso de liquidez. Em suma, o lado da oferta contará com uma maior quantidade de papéis para vender sem, necessariamente, contar com um aumento na procura por esses ativos, desequilibrando a relação “oferta X procura”.