Mercado aquecido

Por que o mercado de aluguel tem sido um pesadelo para alguns gestores?

Segundo o Credit Suisse, mesmo depois do rali de abril, os investidores seguem bastante céticos em relação a novas altas da Bolsa e continuam mantendo suas apostas na ponta da venda

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SÃO PAULO – O rali do Ibovespa no mês de abril trouxe à tona a euforia dos investidores estrangeiros, que foram disparados os maiores compradores naquele mês. Todo o movimento, no entanto, não apagou certo ceticismo que o mercado ainda tinha com a Bolsa brasileira, que tem como pano de fundo uma economia cambaleante e múltiplos bem descolados da realidade. O que fez muitas casas de análises alertarem no início deste mês que a Bolsa estava “cara”. 

Tudo isso vem em linha agora com um dado destacado pelo Credit Suisse, em nota a clientes ontem. O mercado de aluguel, embora tenha registrado leve recuo na parcial deste mês, segue bastante aquecido. O monitor de aluguel da BM&FBovespa mostra uma redução de 5%, aproximadamente, em relação ao estoque de abril, porém ainda muito acima do nível dos últimos dois anos (conforme é possível ver na tabela abaixo).

Um movimento que não tem passado em branco. “O mercado de aluguel tem sido o pesadelo dos gestores long & short (que operam comprados em uma ponta e vendidos em outra)“, comentaram os analistas do banco suíço. Isso porque com a demanda aquecida, o aluguel segue ainda bastante apertado, destacam.  

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Para ganhar com a queda de uma ação, o investidor precisa primeiramente alugar esse papel, pagando por isso uma taxa (que, normalmente, sobe de acordo com a demanda pelo empréstimo), para, posteriormente, vendê-lo na Bolsa. Ou seja, o aluguel de ações aumenta à medida que o mercado se torna mais cético com a Bolsa. Até terça-feira, a Bovespa registrava R$ 40,6 bilhões em contratos abertos em aluguel de ações, contra R$ 34,9 bilhões no mesmo mês do ano passado. 

“Isso só mostra que, mesmo depois do rali, os investidores seguem bastante céticos em relação a novas altas e continuam mantendo suas apostas na ponta da venda (principalmente os locais)”, disseram os analistas.

Eles explicam, no entanto, que o número alto não é apenas por conta de ceticismo mas também por conta do grande número de contratos revertidos em cash & carry (operações conduzidas normalmente por investidores estrangeiros em que eles compram a carteira do Ibovespa à vista e vendem o contrato do índice Futuro para ganhar na arbitragem, uma vez que o normal é que eles andem juntos).

Segundo o Credit Suisse, pelas conversas recentes, é estimado que algo entre 150 mil a 200 mil dos contratos em abertos seja por conta das operações de cash & carry, o que representaria cerca de R$ 10 bilhões, ou 25% aproximadamente desses R$ 44 bilhões de contratos abertos registrados atualmente.

Confira abaixo a tabela que mostra a evolução dos contratos de aluguel abertos na Bolsa:

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