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Por que o Ibovespa caiu quase 3% mesmo com a Previdência avançando no Senado?

Mercado teve o seu pior dia em mais de um mês em meio com preocupações tanto no âmbito doméstico como no externo

Painel de cotações indicando forte queda (Crédito: Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa teve sua maior queda desde 14 de agosto nesta quarta-feira (2) mesmo com a tão antecipada aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno no plenário do Senado. Dois fatores principais explicam essa baixa: um é a preocupação com a possibilidade de recessão nos Estados Unidos após o país registrar seus piores dados de atividade da indústria desde 2009 e a outra é a decepção com a aprovação de um dos destaques da reforma no Senado.

Após o texto principal ser aprovado por 56 votos a 19, o destaque que barrava as mudanças no abono salarial foi aprovado por 42 votos a 30, tirando R$ 76 bilhões do impacto fiscal da reforma. Foi uma dura derrota para o governo.

O principal índice da B3 caiu 2,91% a 101.031 pontos com volume financeiro negociado de R$ 17,139 bilhões. Foi a maior baixa do Ibovespa desde 14 de agosto deste ano, quando o benchmark recuou 2,94%. Entre as ações, a Vale pesou com perdas de mais de 5%, assim como os papéis dos bancos. Confira destaques de ações desta quarta.

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Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,67% a R$ 4,1324 na compra e a R$ 4,1344 na venda. O dólar futuro para novembro registrou queda de 0,66% a R$ 4,139. Entenda por que o dólar caiu mesmo com a queda da Bolsa.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 cai um ponto-base a 4,95% e o DI para janeiro de 2023 registra ganhos de três pontos-base a 6,05%.

Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, destaca que a desidratação ocorrida com o abono, derrubando a economia para R$ 800 bilhões, aumentou os riscos para o segundo turno da votação. “O processo político é um jogo de negociação e ontem, o mercado padeceu dessa falha na articulação para votar os destaques. Ainda há riscos de diluição até o fim da tramitação”, diz

Já Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, acredita que o movimento da Bolsa hoje não teve a ver com a Previdência. “Os EUA afundaram e os analistas estão subestimando o efeito do perigo de recessão no país. Somente o dólar acertou a queda graças à Previdência. Aprovou a reforma, o dólar afundou”, relata.

A Bolsa também caiu com o petróleo, que impactou a Petrobras. Os estoques de petróleo aumentaram em 3,1 milhões de barris na semana passada, o que provocou uma queda de mais de 2% no preço da commodity.

Durante o pregão, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, disse que a economia dos EUA parece favorável olhando para o retrovisor, mas é mista olhando de frente.

Cenário político

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A reforma que chegou ao Senado trazendo uma economia de R$ 933 bilhões em dez anos foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com potência fiscal de R$ 877 bilhões e acabou aprovada pelo plenário economizando R$ 800 bilhões.

Ainda no Brasil, destaque para a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o direito dos delatados se manifestarem posteriormente aos delatores, em análise de caso relacionado à operação Lava Jato.

A sugestão do ministro Gilmar Mendes é de que os efeitos da decisão sejam limitados, preservando sentenças anteriores. Segundo ele, já há maioria na Corte para que a validade recaia sobre réus que fizeram a solicitação em primeira instância.

Já no exterior, além dos dados de ontem, o mercado deve ficar atento aos discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve, Patrick Harker (Filadélfia), e John Williams (Nova York). Harker, que não vota nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) fala às 10h e Williams, que vota, às 11h50.

Saíram também nos EUA os dados de empregos privados do ADP, com acréscimo de 135 mil vagas na economia americana. Eram esperados 140 mil.

Noticiário Corporativo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Vale (VALE3) “abocanhou” durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o direito minerário no País. A um grupo de garimpeiros, Bolsonaro disse que as empresas estrangeiras são culpadas pelo desmatamento na Amazônia e sugeriu que elas pagam propina para encobrir crimes ambientais.

Segundo o grupo de garimpeiros que se reuniu com Bolsonaro, a Vale estaria roubando parte do ouro que está na região de Serra Pelada, no Sul do Pará, e exportando de maneira clandestina. Bolsonaro informou que acionou o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Mineração para buscar “alternativas”. A Vale negou as acusações informando não ter atividades minerais na região, que foi cedida à uma cooperativa de garimpeiros em 2007.

Já a Minerva (BEEF3) assinou memorando de entendimento para criar uma joint venture com os empresários chineses Xuefang Chen e Wenbo Ge na China.

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Enquanto isso, a MRV (MRVE3) deverá convocar nova AGE para discutir investimento na AHS.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

 

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