Por que investidores estão de olho na Eve, da Embraer, antes mesmo do primeiro voo?

Subsidiária da Embraer capta US$ 230 milhões, terá dupla listagem e mantém cronograma de lançamento do eVTOL

Murilo Melo

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O anúncio da Eve, empresa de veículos elétricos aéreos para uso em meios urbanos pertencente à Embraer (EMBR3), feito nesta quinta-feira (14), de que vai aumentar o capital de US$ 230 milhões e ter listagem dupla nos Estados Unidos e no Brasil é avaliado pelo Bradesco BBI como positivo. Com a notícia, as ações da companhia EMBR3 subiam 2,18%, por volta das 16h45 (horário de Brasília), a R$ 80,95.

Na análise do banco, antes da oferta a Eve já contava com liquidez de US$ 375 milhões, suficiente para sustentar seu consumo de caixa até o fim de 2026. Com a entrada dos novos recursos, a estimativa é que a empresa possa financiar suas atividades até meados de 2028, mantendo o cronograma de lançamento do seu eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de decolagem e pouso vertical) em 2027.

O banco vê o primeiro voo, previsto para ocorrer entre o fim de 2025 e o início de 2026, como um possível gatilho para aumentar o interesse de investidores e gerar valorização gradual das ações da Embraer.

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O preço de emissão das ações na oferta ficou 17% abaixo do fechamento do papel no dia anterior ao anúncio. Na operação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de sua subsidiária BNDESPAR, fará um aporte de 75 milhões de dólares e ficará com 4% de participação após a conclusão.

A própria Embraer investirá US$ 20 milhões, mantendo 73% de participação. Outros investidores institucionais irão aportar US$ 135 milhõe. Na avaliação do Bradesco BBI, essa composição mostra que há interesse do mercado pelo segmento de eVTOL.

O anúncio da Eve envolveu a assinatura de um acordo de subscrição com o BNDESPAR, a Embraer e outros investidores para a emissão de 47.422.680 ações ordinárias, ao preço de US$ 4,85 cada. A oferta inclui a subscrição de Brazilian Depositary Receipts (BDRs, certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil e lastreados em ações estrangeiras) pelo BNDES, equivalentes a uma ação cada, ao valor de R$ 26,21 por BDR, considerando a taxa de câmbio PTAX de 12 de agosto. O valor total bruto da captação será de US$ 230 milhões.

Os BDRs foram aprovados para listagem na B3, a bolsa de valores brasileira, sob o código EVEB31, e serão entregues ao BNDES no Brasil. A Eve pretende usar parte dos recursos provenientes dos BDRs para pagamentos de serviços realizados no país.

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O restante líquido da captação será destinado a finalidades corporativas gerais, como financiamento de operações, aquisições de negócios ou investimentos estratégicos, além da quitação de dívidas. O fechamento da oferta está previsto para 15 de agosto deste ano, condicionado ao cumprimento dos requisitos usuais para esse tipo de transação.

O Bradesco BBI manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ADRs (recibo de ações negociado nos EUA) ERJ com preço-alvo de US$ 68.