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Com as tensões geopolíticas em escalada, o Brasil tem ganhado relevância no radar dos investidores estrangeiros. Diante da guerra no Oriente Médio e de seus impactos, especialmente sobre petróleo e combustíveis, o país passou a ser visto como um caso de “ganha-ganha” no mercado.
De acordo com a XP Investimentos, se as tensões persistirem, o Brasil tende a se beneficiar de algumas dinâmicas por ser exportador líquido de petróleo. A expectativa é que essa condição ajude a sustentar a balança comercial, fortalecer a moeda e até amortecer pressões inflacionárias.
Mesmo se os riscos geopolíticos diminuírem, a XP aponta que o mercado espera um retorno a um ambiente pré-conflito, com dólar mais fraco e maior apetite por emergentes. Nesse cenário, tanto o real quanto as taxas de juros locais tenderiam a se beneficiar.
“Nesse cenário, o Brasil é visto como um mercado com desempenho relativo superior”, avaliam os analistas. Para eles, a leitura predominante é de que o real pode ter um comportamento melhor do que a própria curva de juros nominais.
Embora o “ganha-ganha” esteja muito ligado a fatores externos, os analistas da XP destacam que investidores também têm monitorado de perto as dinâmicas domésticas, tanto econômicas quanto políticas.
Ciclo de juros
Para o JPMorgan, apesar da incerteza sobre ritmo e magnitude dos cortes de juros, a direção geral da política monetária do Banco Central ainda é de queda. Segundo os economistas, a autoridade monetária não parece inclinada a reagir de forma exagerada a dados de curto prazo, o que traz algum grau de segurança para os investidores.
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Ainda assim, o BC descreve sua postura como de “calibração”, e não como um ciclo clássico de afrouxamento. De acordo com relatório do UBS, isso sinaliza que as decisões continuarão a ser tomadas reunião a reunião, sem compromissos prévios.
Em relação à guerra, o JPMorgan avalia que o ritmo de crescimento da economia no segundo e terceiro trimestres dependerá do efeito líquido do conflito e da resposta de política econômica.
Mesmo assim, o banco destaca que os investidores estão mais otimistas com as perspectivas para o real. Ainda que as eleições do fim do ano possam trazer alguma volatilidade ao cenário doméstico, o clima segue positivo.
Para o UBS, o principal risco associado à eleição presidencial é a possibilidade de concessões fiscais adicionais. Segundo o banco, isso poderia afetar a credibilidade do Tesouro Nacional.
