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Por que as prisões da Lava Jato e o habeas corpus de Lula são ruins para a Bolsa?

Notícias que levaram à suspeita de participação do ex-presidente nos esquemas da Lava Jato trouxeram pessimismo para o mercado, e deve continuar assim

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SÃO PAULO – O Ibovespa passou a recuar mais forte depois da notícia do pedido de habeas corpus para o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A informação deixou alguns investidores confusos, já que se o Lula fosse realmente culpado de algum crime na Operação Lava Jato e acabasse investigado e punido, seria uma boa notícia para o País, já que mostraria que a Justiça opera em todas as instâncias e não faz distinção pela pessoa investigada. A sensação de impunidade acabaria – isso se fosse provada a sua culpa, logicamente. 

Para um espaço mais curto de tempo, no entanto, a mensagem que seria dada ao investidor estrangeiro seria de bagunça institucional no País. A imagem que apareceria é a de um governo que será incapaz de fazer os ajustes necessários na economia por estar debilitado politicamente e com seus principais líderes envolvidos em atividades ilícitas. 

Na semana passada, quando executivos da Odebrecht como seu presidente, Marcelo Odebrecht, foram presos, a Bolsa teve um desempenho negativo. Isso porque episódios assim trazem manchas para a imagem do País no cenário internacional, como comentou o analista Ricardo Kim, da XP Investimentos. Com mais da metade do peso do capital negociado na BM&FBovespa nas mãos de investidores estrangeiros, qualquer notícia que afete a ordem institucional é vista como negativa. 

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De acordo Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, o mercado está vendo os efeitos de uma falta de governabilidade na economia. Ele lembra do caso da Medida Provisória 672, que foi aprovada ontem na Câmara dos Deputados, e que reajusta todas as aposentadorias pela regra do salário mínimo até 2019, gerando um custo extra em torno R$ 9,2 bilhões por ano. 

“A base do governo está contra. E pegar agora o símbolo máximo do PT em um escândalo de corrupção impacta demais o governo e a base, que está já está deixando de apoiar as medidas de ajuste fiscal”, afirma o economista. Segundo ele, isso traz uma incerteza política ainda maior, o que obviamente também afeta o econômico porque prejudica a capacidade do Estado de fazer políticas públicas. “Acho que esse assunto da Lava Jato chegando mais nos degraus de cima, faz com que fique cada vez pior o humor para investir no Brasil”, disse. 

O que fica no momento é que não há nenhuma comprovação de culpa de Lula, que não é investigado pelo Ministério Público Federal e que não é legalmente representado pelo autor do pedido, Mauricio Ramos Thomaz, que já havia ajuizado um habeas corpus em favor do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, também réu na Lava Jato. Durante o julgamento do mensalão, Thomaz ajuizou em caráter liminar em favor de Marcos Valério de Souza e Simone Vasconcelos. Ele não consta como advogado no cadastro público da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Isso, na opinião de Ferman, nos leva a pensar que se não houver novidades no caso, ele tende a se dissipar e a Bolsa voltará ao seu curso natural. O que vai voltar a mexer nas ações são o cenário e os fundamentos. “O plano de fundo de economia continua muito fraco e está tendo uma dificuldade cada vez maior do governo de governar”, explica. Ou seja, sem notícias boas por enquanto.