Filho pródigo?

Por que a volta do presidente fez a ação de uma empresa despencar 8% hoje na Bolsa?

O retorno de Gennaro Oddone levanta preocupações de que a Tegma persiga novamente a sua mal sucedida estratégia de fusões e aquisições, destaca o Bradesco BBI

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SÃO PAULO – Na noite de ontem, a Tegma (TGMA3) comunicou a renúncia de Fábio Murilo Costa D’Ávila Carvalho dos cargos de diretor-presidente e diretor de relações com investidores da empresa. As cadeiras serão ocupadas por Gennaro Oddone.

Conforme destaca o comunicado, Oddone já ocupou o cargo de Diretor-Presidente da Companhia durante os anos de 2003 a 2013 e retorna à companhia com o objetivo de intensificar a atuação nas áreas de Logística de Inbound, Armazenagem e, principalmente, Logística de Veículos. “A experiência e o profundo conhecimento que o Oddone possui da empresa e dos setores em que atua garantirão uma transição rápida e segura”, afirmou.

Contudo, a novidade não animou nada o mercado. Nesta sexta-feira, dia seguinte ao comunicado, as ações da Tegma fecharam em queda de cerca de 8,01%, a R$ 11,48, mas chegaram a cair 8,73% na mínima do dia, a R$ 11,39, no menor patamar desde junho de 2010.

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E, segundo relatório do Bradesco BBI, há um motivo para isso: o retorno de Oddone pode levantar preocupações de que a Tegma persiga novamente a sua antiga estratégia de fusões e aquisições, apesar do histórico frustrante, como foi com os casos da Bini (2007), Directa (2011) e LTD (2012). E questiona: será que a Tegma irá ressuscitar a sua estratégia mal sucedida de fusão e aquisição?

“As ações da Tegma tem caído 18% desde quando rebaixamos a recomendação em maio e o múltiplo EV/Ebitda (valor da empresa sobre o Ebitda) para 2015 é negociado 15% abaixo da sua média história. Além disso, a empresa tem um dividend yield (dividendo/preço da ação) de 6% em 2015. No entanto, continuamos tendo uma classificação market perform (desempenho em linha com a média do mercado) e um preço-alvo de R$ 17,00”, destacam os analistas Luiz Peçanha, Victor Mizusaki e Leandro Fontanesi.

Os motivos para manter essa recomendação são: (i) as preocupações sobre a estratégia de fusões e aquisições; (ii) não haver uma decisão clara sobre o pagamento especial de dividendos e recompra de ações e (iii) a redução de custos que pode ser insuficiente para retornar as suas margens para níveis históricos.

Os analistas reforçam ainda que, durante a administração de Odonne, Tegma reportou uma receita líquida em CAGR (Taxa Composta Anual de Crescimento Real) entre os anos de 2006 e 2013 de 20%. Contudo, as aquisições problemáticas da empresa se traduziram num lucro líquido em CAGR entre os anos de 2006 e 2013 de 1%.

O baixo crescimento do lucro líquido da Tegma durante este período foi atribuído, principalmente, à aquisição da Direct (uma empresa de logística de e-commerce) no ano de 2011.

“Devemos notar que a divisão de logística integrada da Tegma apresentou Ebitda e R$ 80 milhões em 2013. No mesmo ano, Carvalho assumiu a Tegma e foi dado o mandato para vender e/ou interromper quaisquer operações/contratos não rentáveis. A Direct foi, em seguida, vendida a R$ 127 milhões em 2014. Com a sua missão cumprida, Carvalho é substituído por Oddone. Em nossa opinião, isso poderia levantar questões sobre se a Tegma pode mais uma vez perseguir uma estratégia de fusão e aquisição”.

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