Por que a Petrobras não pretende renovar licença de marcas para a Vibra, segundo o CFO

O executivo destacou que o contrato em vigência não está muito claro em várias condições e que se apresentava atualmente como ineficiente pelo ponto de vista estratégico da Petrobras

Camille Bocanegra

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Sem planos (até 2028) para retorno à distribuição de combustíveis, a Petrobras (PETR4) mira em novas formas de uso da marca BR, de acordo com Sergio Caetano Leite, diretor financeiro (CFO, na sigla em inglês) da estatal.

A Petrobras anunciou, na quarta-feira (10), a não-renovação da licença de marcas para a Vibra (VBBR3). Em reunião com o Itaú BBA e investidores no dia seguinte ao comunicado, o CFO da estatal destacou a boa relação com a companhia e a possibilidade de realização de novo acordo em relação à marca BR.

O executivo destacou que o contrato em vigência não está muito claro em várias condições e que se apresentava atualmente como ineficiente pelo ponto de vista estratégico da Petrobras. Os principais pontos de divergência para a Petrobras eram a cláusula de não concorrência no segmento de distribuição de combustíveis e a impossibilidade de uso da própria marca em outros negócios ou iniciativas.

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Assim, ainda que o contrato mantenha sua vigência até 2029, a companhia optou por notificar a Vibra da ausência de intenção de renovação (o que poderia ser feito até 2027) para acelerar o processo de debranding (desvinculando a Vibra da marca, uma espécie de “desmarcação”). Com a notificação antecipada, a Vibra conta com até seis anos para realização do processo de saída das marcas.

O CFO afirmou que a boa relação entre ambas companhias deve ser destacada, assim como a relevância da parceria comercial de longa data estabelecida.

“Ele também observou que a fase de elaboração do plano é uma ótima oportunidade para a Petrobras e a Vibra negociarem termos diferentes que permitam à Petrobras maior flexibilidade no uso de sua marca, incluindo novas oportunidades de negócios em parceria com a Vibra em arranjos que atualmente não são permitidos”, destaca o BBA.

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Leite reforçou a possibilidade de negociação com a Vibra para novas formas de uso da marca e novas condições contratuais para manutenção de cooperação entre as companhias. Contudo, uma emenda ao contrato não seria sido suficiente para garantir as mudanças desejadas pela estatal.

Apesar de destacar a proibição da presença da Petrobras no negócio de distribuição de combustíveis como um dos pontos que motivaram a não-renovação do contrato, Leite destacou que não há previsão de retorno ao negócio no plano estratégico da Petrobras para 2024-2028.

Há, no entanto, uma análise interna para determinação do papel do modelo tradicional de distribuição de combustíveis fósseis, considerando o atual modelo de transição energética presente na estratégia da empresa.

Sobre o encontro, o BBA destacou que a linha do tempo exata do processo de desmarcação permanece como incerta, em especial em relação ao gatilho para o início do processo. A divisão de análise do banco mantém a Petrobras como market perform (performance de mercado, similar à neutro), com preço-alvo estabelecido em R$ 38,00.

O anúncio não trouxe grande repercussão para os papéis das companhias, como já era esperado por analistas. A impressão é que, além de já esperada, a notícia não impacta diretamente nenhuma das duas no curto prazo. Poderia, contudo, ser negativa para Petrobras caso de fato buscasse o ingresso no negócio de distribuição, uma vez que a iniciativa exigiria mais investimentos da estatal. Para a Vibra, o principal desafio é a consolidação de uma nova marca que traga força similar à vista na já tradicional BR.