Por que a operação bem-sucedida entre Petrobras (PETR4) e Seacrest é uma boa notícia também para as ações da 3R (RRRP3)

Venda de polo para a Seacrest indica avanço em transações assinadas da Petrobras e é uma leitura positiva para 3R, que também tem uma operação na fila
Brava Energia, antiga 3R Petroleum (Divulgação 3R Petroleum)
Brava Energia, antiga 3R Petroleum (Divulgação 3R Petroleum)

Publicidade

Em fato relevante divulgado ao mercado, a Petrobras (PETR3;PETR4) informou na quarta-feira (12) a venda de 100% do Polo Norte Capixaba à Seacrest Petróleo. O polo é formado por um conjunto de 4 concessões de campos de produção terrestres, com instalações integradas, no estado do Espírito Santo.

A estatal destaca que a operação foi concluída com o pagamento à vista de US$ 426,65 milhões para a Petrobras, já com os ajustes previstos no contrato.

Com a conclusão da cessão, a Seacrest assume a condição de operadora dos campos do Polo Norte Capixaba e demais infraestruturas de produção.

Além do impacto da operação para a Petrobras e para a Seacrest (petroleira listada na Noruega cuja ação subiu 6,77% na Bolsa de Oslo após o anúncio), a notícia é vista como positiva também para a 3R Petroleum (RRRP3), que via suas ações subirem 2,24% (R$ 32,91) às 12h50 (horário de Brasília).

A visão positiva para a 3R ocorre em meio ao cenário de incertezas para as vendas de ativos da Petrobras, depois de o Ministério de Minas e Energia pedir, em 1 de março, 90 dias para a companhia suspender seu programa de desinvestimentos. A petroleira tem reiterado que os contratos assinados de venda devem ser concluídas, mas possíveis mudanças seguem no radar com alterações de diretoria e Conselho.

A 3R negocia um ativo com a estatal, o Polo Potiguar. Em meados de março, a 3R Petroleum informou que a Petrobras havia ratificado a continuidade do processo de transição de Potiguar, o que chegou a levar a uma disparada da ação após a notícia.

A compra do ativo pela companhia, pelo valor de US$ 1,38 bilhão, foi aprovada pelo conselho de administração da Petrobras no ano passado, mas o processo de aquisição ainda não foi concluído.

O Polo Potiguar envolve campos produtores de petróleo e gás, bem como terminais de uso privado, refinaria e ativos de armazenamento na Bacia Potiguar, no nordeste do Rio Grande do Norte.

“Acreditamos que este anúncio é uma indicação de que a Petrobras está avançando com as transações assinadas e é uma leitura positiva para 3R, pois remove, pelo menos parcialmente, a incerteza em torno dos processos de desinvestimento da estatal. Ressaltamos que a 3R firmou a transação com a Petrobras para a aquisição do polo Potiguar”, avalia o Goldman Sachs, que disse esperar uma reação positiva do mercado ao anúncio.

Continua depois da publicidade

A notícia também foi vista pelo Bradesco BBI como positiva para a 3R, que espera o fechamento do negócio nos próximos dois meses. “O status de Potiguar era semelhante ao da Norte Capixaba em termos de processo de aprovação, faltando algumas licenças ambientais”, afirma o BBI.

Na mesma linha, o Itaú BBA destacou leitura positiva para a 3R e também apontou o impacto para a Seacrest. Para os analistas do banco, o fechamento da transação é um grande fator de redução de risco no case de investimento da Seacrest, uma vez que permitirá que a empresa opere por meio de um modelo de negócio verticalizado, dando autonomia para
comercializar o óleo que produz.

O Polo Norte Capixaba compreende quatros campos terrestres: Cancã, Fazenda Alegre, Fazenda São Rafael e Fazenda Santa Luzia. O Terminal Norte Capixaba e todas as instalações de produção contidas no ring fence das quatro concessões também fazem parte do Polo, além da titularidade de alguns terrenos. A produção média do Polo Norte Capixaba no 1º trimestre de 2023 foi de aproximadamente 4,6 mil barris de óleo por dia (bpd) e 21,8 mil m³/dia de gás natural.

Continua depois da publicidade

O BBA possui recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) tanto para a ação da Seacrest (negociada na Noruega) quanto para a ação da 3R (negociada na B3).

Já o Goldman aponta seguir com recomendação de compra em 3R, mas aponta que o risco de execução permanece elevado. “Destacamos também que a entrega da produção deve continuar sendo o foco do investidor, dado o fraco desempenho operacional no ano anterior e problemas operacionais recentes, que agregam riscos ao case”, avaliam.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.