Por quanto tempo podemos esperar um impulso contínuo dos bancos centrais?

Excesso de liquidez no sistema preocupa o Morgan Stanley, que prevê retomada da economia nos próximos dois trimestres de 2009

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SÃO PAULO – Desde de o início de março, os ativos de risco tiveram um expressivo rali. Ao ver do Morgan Stanley, um importante fator subjacente a este movimento que merece cuidado especial tem sido o excesso de liquidez que os bancos centrais têm “bombeado” no sistema através da cortes em taxas de juro e flexibilizações monetárias quantitativas.

Através destas injeções de capital, as autoridades monetárias também têm contribuído para abrandar o ritmo de contração da economia mundial. Assim, agora estamos entramos em uma fase em que a ação política maciça encontra-se necessária, e os analistas do banco continuam confiantes de que a economia mundial irá se recuperar nos próximos dois trimestres.

Com taxas de juro praticamente nulas e a flexibilização quantitativa desempenhando um papel fundamental neste processo de retomada, o Morgan Stanley enxerga duas questões de abordagem importante no atual cenário: por quanto tempo podemos esperar um impulso contínuo dos bancos centrais e quando os BCs decidirem normalizar as taxas e interromper as medidas não convencionais, que estratégias eles empregarão?

Crescimento econômico e inflação

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Obviamente, o formato da recuperação e as perspectivas de inflação serão fundamentais na determinação das estratégias dos bancos centrais.

Os analistas continuam acreditando que os esforços políticos globais farão com que a economia mundial tenha um crescimento positivo já no segundo semestre de 2009, com os riscos inflacionários voltando a patamares reduzidos.

Mais importante, haverá um elevado nível de incerteza sobre a velocidade e intensidade da recuperação global. A natureza desta retomada está suscetível a ser prejudicada por aumentos agressivos em taxas de juro por parte dos bancos centrais.

Política expansionista

Na verdade, os analistas esperam que a política monetária expansionista permaneça por um período significativo, além do posterior desaparecimento da flexibilização quantitativa.

Recentemente, o Federal Reserve, o BoC (Bank of China), o RBNZ (Bank of New Zealand) e o BoE (Bank of England) publicaram minutas sinalizando que continuariam optando por manutenções nas taxas de juros nos níveis atuais por um considerável período.

Mercados emergentes

Para os países emergentes, os aumentos das taxas provavelmente vão ocorrer ao mesmo tempo, com a Índia em primeiro lugar, com elevação prevista para o primeiro trimestre de 2010, seguida pela Rússia no segundo e, por fim, Brasil e China apenas no terceiro trimestre do próximo ano.

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No que diz respeito às preocupações sobre a “ativa” flexibilização quantitativa, os bancos centrais continuam a ter a maioria das compras de ativos à frente deles, e os riscos ainda são de que a dimensão e o alcance desses programas sejam expandidos.

“Acreditamos que os ativos adquiridos permanecerão na carteira dos bancos centrais, pelo menos enquanto as taxas estiverem próximas de zero e, em alguns casos, por muito mais tempo”, finaliza o Morgan Stanley.