População de baixa renda é a que mais compromete salário com prestações

Além disso, as pessoas optam mais pela compra no pequeno varejo, o que dá a impressão de desaquecimento geral das vendas

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SÃO PAULO – As vendas do varejo estão comprometidas porque os consumidores estão endividados, certo? Errado. Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas TNS InterScience mostrou que apenas 10% da renda mensal da população é destinada ao pagamento de prestações.

“O varejo imagina que as vendas
não são feitas porque o consumidor está excessivamente endividado, e este seria o limitador do crescimento em 2006. Não é nada disso”, disse ao Diário do Comércio o presidente do instituto, Paulo Secches.

Perfil

A pesquisa mostrou ainda que a população cuja renda é mais comprometida por pagamento de prestações é a de baixa renda, com 15%. As que pertencem à classe média estão com 8%.

“No começo do ano passado, 28% das pessoas estavam pagando pelo menos uma prestação. O índice, neste ano, caiu para 19%”, contou Secches.

Pequeno varejo

Segundo ele, as redes maiores estão perdendo espaço para o pequeno varejo. E é exatamente por isso que se acredita que o comércio esteja desaquecido, uma vez que esse setor não está vinculado a associações, o que exclui seu faturamento de balanços de mercado.

Juros

Conforme a TNS InterScience, o principal inibidor na hora de se lançar mão do crediário são os juros ao consumidor.

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Cerca de 80% das pessoas
não fizerem prestações nos últimos 24 meses exatamente por medo de não conseguir arcar com a cobrança.

Outro ponto de vista

De acordo com o periódico da Associação Comercial de São Paulo, o coordenador do Programa de Administração do Varejo (Provar), da Universidade de São Paulo (USP), Cláudio Felizoni, tem outro ponto de vista sobre a situação do varejo.

Segundo explicou ao DC, os gastos do consumidor podem ser divididos da seguinte maneira: 25% com alimentação, 20% com habitação, 10% com vestuário, 15% com transporte, 10% com saúde e mais 10% com alimentação. Os 10% restantes deveriam ser destinados às prestações.

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“Mas esse índice é extrapolado. As pessoas não conseguem se limitar a esse montante. É preciso fazer reparos no fogão ou gastar com a manutenção do carro, por exemplo”, explicou.

Comprometimento

Felizoni citou ainda estudo feito pelo Provar em parceria com o Canal Varejo. Conforme o levantamento, no inicio do ano 64% dos paulistas tinham pelo menos uma linha de crédito em andamento.
“Por isso acredito que o consumo esteja parado por falta de renda”, justificou.