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Carlos Bolsonaro diz que País não terá transformação rápida por vias democráticas e sofre críticas

Os tweets do filho do presidente provocaram reações de políticos e setores da sociedade, que viram um ataque ao sistema democrático brasileiro

Carlos Bolsonaro
(Divulgação)

SÃO PAULO - O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), voltou a chamar atenção nas redes sociais por suas declarações e sofrer duras críticas de figuras relevantes da política nacional. Desta vez, ele afirmou, através de seu perfil no Twitter, que, por vias democráticas, não haverá as mudanças rápidas que ele entende serem desejadas pelo País.

"Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!", afirmou o vereador no microblog. A postagem foi feita na noite de ontem e ainda ecoa no mundo político nesta terça-feira (10).

A mensagem veio na sequência de um comentário de Carlos Bolsonaro sobre os esforços que, segundo ele, o governo do pai empenhou para "desfazer absurdos que nos meteram no limbo e tentar nos recolocar nos eixos". "O enredo contado por grupelhos e os motivos cada vez mais claro$ lamentavelmente são rapidamente absorvidos por inocentes. Os avanços ignorados e os malfeitores esquecidos", afirmou.

O vereador concluiu as postagens afirmando que, "como meu pai, também estou muito tranquilo e o poder jamais me seduziu. Boa sorte sempre a todos nós!".

Os tweets de Carlos Bolsonaro, apontado como responsável pela estratégia do presidente nas redes sociais durante a campanha eleitoral e os primeiros meses de governo, provocaram reações de políticos e setores da sociedade, que viram neles um ataque ao sistema democrático brasileiro.

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Na manhã desta terça-feira, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou acreditar na democracia e que declarações nesse sentido têm seu "desprezo". "No Senado, o Parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida, as instituições estão todas pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo", disse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a declaração é incompatível com um país democrático. "Eu preferia nem comentar esse assunto, porque é uma declaração que não cabe num país democrático. Mas a gente viu o que aconteceu com a Venezuela, são mais de mil venezuelanos todos os dias passando a fronteira para o Brasil, pessoas passando fome, necessidade. É isso que deu a pressa da Venezuela sem um sistema democrático", disse.

Na avaliação do deputado, frases como essa "devem colaborar muito com a insegurança de empresários brasileiros e estrangeiros". "A gente tem que tomar cuidado com as nossas narrativas porque muitas vezes são além de frases mal colocadas, causam danos ao povo mais carente brasileiro", pontuou.

O vice-presidente Hamilton Mourão, por sua vez, disse que a democracia é "fundamental". "Pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte: sem isso, a civilização ocidental não existe", afirmou. Ele está no exercício da presidência desde domingo (8), com a internação de Bolsonaro em São Paulo para uma nova cirurgia decorrente da facada que sofreu há um ano durante a campanha eleitoral.

Após as críticas, Carlos Bolsonaro voltou ao Twitter para falar sobre o assunto: "O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS!".

 

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