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Vales do Silício Tropicais

No artigo abaixo, Arnaldo Lima, secretário de educação superior do MEC, detalha os objetivos do programa Future-se. Um deles é ajudar as universidades a formar empreendedores

Robô na Campus Party
(Paula Zogbi)

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

"A concepção e a existência das instituições federais de ensino superior (IFES) estão calcadas em parcerias público privadas, pois o objetivo precípuo é formar nossos alunos para o mundo do trabalho.

O Future-se, além de reforçar esse preceito constitucional do artigo 214, também pretende auxiliar as universidades na formação de bons empreendedores. Ou seja, queremos criar uma espécie de Doing Business, relatório do Banco Mundial, adaptado às Instituições federais de ensino superior.

O primeiro passo é fomentar um ambiente favorável à criação de empresas juniores (EJ) e incubadoras de empresas. Atualmente, existem 894 EJ, sendo 716 provenientes de universidades federais. Estamos falando de 22 mil empresários universitários que têm o sonho de ser agentes transformadores e contribuir para tornar nosso país mais competitivo.

O Future-se proporcionará acesso à linhas de Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) para as empresas juniores e startups criadas nas IFES, o que representa cerca de R$6 bilhões. Também será permitido que os nossos estudantes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste consigam acessar as linhas com crédito subsidiado ofertadas por BASA, BNB e BB, respectivamente, por meio dos fundos constitucionais.

Ressalta-se que hoje cerca de R$33 bilhões estão na conta do Tesouro sem serem emprestados. Se esses recursos forem direcionados aos nossos alunos, poderão gerar desenvolvimento regional, especialmente na área de serviços, base da nossa economia.

O Future-se também trabalhará em parceria com organizações que têm ações alinhadas ao objetivo de fomentar o empreendedorismo entre os jovens, com destaque para SEBRAE, FINEP e BNDES. Ou seja, buscaremos facilitar a conversão das EJ em startups e, quem sabe, unicórnios (startups com faturamento acima de US$ 1 bilhão) como o Uber e Airbnb, que são casos de sucesso da cultura empreendedora instalada no Vale do Silício.

Para termos nossa versão tropical de empreendedorismo, será proporcionado apoio para elaboração de planos de negócios simplificados, comumente conhecidos como Minimum Viable Project (MVP), e criação de bacharéis interdisciplinares de negócios e empreendedorismo e aproximação com investidores-anjos e fundos de venture capital.

No curto prazo, estamos trabalhando para criar uma plataforma que fomente a interação de estudantes e professores com empresários, uma espécie de “Tinder das EJ”.

Além disso, criaremos uma revista digital, possibilidade de venda online de produtos (e-commerce) e ações de crowdfunder nessa plataforma, com o intuito de alavancar os bons projetos que estão sendo desenvolvidos nas IFES e estimular um senso de pertencimento, que proporcionará, inclusive, ações solidárias e doações no âmbito de fundos patrimoniais.

Da mesma forma, promoveremos startups weekends, em colaboração com os agentes parceiros, para selecionar, já no curto prazo, os projetos mais inovadores dos nossos estudantes.

O Future-se já está fazendo história ao colocar a educação no centro do debate público. Entendo, também, que resgatará o orgulho que temos das nossas IFES, que são, concomitantemente, patrimônios culturais da sociedade brasileira e palcos de políticas públicas que fomentam o desenvolvimento econômico e social do nosso País.

Por fim, temos a chance de rejuvenescermos ao nos aproximarmos dessa geração de mentes brilhantes, que tem tudo para fazer deste país um exportador da indústria do conhecimento. Em resumo, os Vales do Silício Tropicais já estão em gestação. Get ready!"

Arnaldo Lima é secretário de educação superior do MEC

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