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As reações do mundo político ao vazamento de mensagens de Sérgio Moro

Autoridades se posicionaram sobre a troca de informações entre o ex-juiz da Lava-Jato e o procurador Deltan Dallagnol 

Sérgio Moro
(Valter Campanato/Agência Brasil )

SÃO PAULO - Esta segunda-feira (10) amanheceu tomada por um furacão na política: a divulgação pelo site The Intercept, de conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol. 

Entre as mensagens trocadas pelo então juiz de Curitiba (PR) e o procurador, está uma na qual Moro sugere a inversão da ordem das fases da Lava-Jato e outra em que ele questiona o intervalo entre operações da Polícia Federal "não é muito tempo sem operação?", teria dito. 

Há outro trecho em que Dallagnol conversa com um grupo de procuradores que critica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do cárcere para a jornalista Mônica Bergamo. Um dos membros do grupo sugere que se a entrevista fosse realizada, poderia fazer com que Fernando Haddad vencesse as eleições de 2018. 

Os vazamentos logo repercutiram na política. Gerando posicionamentos de diversos lados. 

Marco Aurélio Mello

No STF, o ministro Marco Aurélio Mello, disse que a troca de colaborações entre Dallagnol e Moro põe em xeque a equidistância da Justiça. "Apenas coloca em dúvida, principalmente ao olhar do leigo, a equidistância do órgão julgador, que tem ser absoluta. Agora, as consequências, eu não sei. Temos que aguardar", afirmou. 

Filhos de Bolsonaro

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) insinuou no Twitter que a imprensa utiliza a invasão ilegal de algo privado para "queimar o governo Bolsonaro e favorecer o sistema". 

Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) retuitou uma série de mensagens de apoio a Moro, impulsionando a hashtag #EuApoioaLavaJato. Para o deputado, a notícia do Intercept veio do ataque que hackers fizeram ao celular do ministro da Justiça recentemente e, portanto, consistiria em prova ilegal. 

"Hoje um hacker 'qualquer' invadiu 'sem pretensão' o celular de Moro e agora vaza tudo no Intercept, que é a mídia de Glenn Greenwald. Sabe que é Glenn? É o companheiro do dep. David Miranda (PSOL-RJ) que entrou na vaga deixada por Jean Wyllys (sic)", disse em uma mensagem. 

Eduardo Bolsonaro ainda postou uma foto de Greenwald apertando a mão de Lula e disse que a imagem trazia luz sobre os fatos recentes. 

FHC

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, disse ao blog do jornalista Tales Faria, do UOL, que as conversas não comprometem as condenações proferidas por Moro. 

"O vazamento de mensagens entre juiz e promotor da Lava-Jato mais parece tempestade em copo d'água. A menos que haja novos vazamentos mais comprometedores. Não alteram, na substância, como escreveu Celso Rocha Barros, os motivos para a condenação, apesar de revelarem comentários impróprios, dados os participantes."

Fernando Haddad

O ex-prefeito de São Paulo e candidato à presidência da República em 2018, Fernando Haddad, tuitou que este pode ser o "maior escândalo institucional da história da República". "Muitos seriam presos, processos teriam que ser anulados e uma grande farsa seria revelada ao mundo. Vamos acompanhar com toda cautela, mas não podemos nos deter. Que se apure toda a verdade!"

 

Sérgio Moro

O próprio ministro da Justiça reagiu ao caso dizendo que não há nada comprometedor nas mensagens divulgadas apesar do "tom sensacionalista das reportagens". 

Hamilton Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que  não vê “nada de mais” nas conversas divulgadas no último domingo. Para Mourão, os processos da Lava-Jato não devem ser questionados, pois “todos eles passaram por primeira, segunda e outros já chegaram na terceira instância”, disse. 

De acordo com Mourão, as conversas foram divulgadas fora do seu contexto original. “Conversa privada é conversa privada e descontextualizada ela traz qualquer número de ilações. O ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente [Jair Bolsonaro] e é uma pessoa que, dentro do país, tem o respeito de enorme parte da população, visto as pesquisas de opinião que dão a popularidade dele”, disse.

“Conversa privada é conversa privada e descontextualizada ela traz qualquer número de ilações. O ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente [Jair Bolsonaro] e é uma pessoa que, dentro do país, tem o respeito de enorme parte da população, visto as pesquisas de opinião que dão a popularidade dele”, disse.

Paulo Pimenta

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, falou sobre o caso e pediu que Moro se afaste do Ministério da Justiça enquanto a atuação do grupo for investigada. Segundo ele, "o afastamento se daria para garantir a isonomia das investigações e para que não interfiram ou destruam, eventualmente, provas". Pimenta disse ainda que conversará com Rodrigo Maia para fazer consulta institucional sobre CPI para investigar a Lava Jato.

Marcelo Ramos

Por fim, o presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM) afirmou à Reuters que Sérgio Moro deveria renunciar. Para Ramos, que é advogado e professor de Direito Constitucional, o afastamento de Moro não só seria a melhor atitude para não tumultuar ainda mais a discussão da reforma da Previdência, mas também garantiria “liberdade de investigação” à Polícia Federal, uma vez que o ministro controla a PF.

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