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Governo quer alterar política de preços da Petrobras e anunciará pacote aos caminhoneiros

Impasse continua e governo Bolsonaro quer conter possibilidade de uma greve da categoria

Bolsonaro e Paulo Guedes - Sanção da Lei de Cadastro Positivo
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO - Na sequência da reunião na última segunda-feira entre ministros e o CEO da Petrobras (PETR3;PETR4), Roberto Castello Branco, após a polêmica medida de Jair Bolsonaro de barrar o reajuste do diesel, o governo realiza entrevista coletiva às 11h (horário de Brasília) sobre as medidas a serem adotadas em resposta às demandas do setor de transporte rodoviário. 

De acordo com o jornal O Globo, enquanto não chega a uma solução para o impasse sobre o diesel, o governo anuncia nesta terça-feira um pacote de medidas que representa um aceno aos caminhoneiros de forma a atenuar as possibilidades de uma nova greve da categoria.

Entre as medidas, estão o aumento da fiscalização do cumprimento da tabela do frete e a construção de locais de repouso nas rodovias com pedágio, além do lançamento de uma linha de crédito do BNDES. O governo também deve anunciar a conclusão de obras de infraestrutura nas principais rodovias nacionais, como a BR-163, que liga o Pará ao Rio Grande do Sul, e a BR-142, da Bahia ao Mato Grosso.

Entre outras medidas, estão ainda os incentivos a cooperativas de caminhoneiros e um plano para desburocratizar a obtenção de documentos.

O governo já anunciou a criação do Cartão Caminhoneiro, cujo sistema deve entrar em funcionamento em 90 dias e permitir que o motorista compre antecipadamente até 500 litros. O combustível poderá ser usado conforme a necessidade do motorista, de forma a protegê-lo das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional.

O Planalto também estuda um controle maior do que Bolsonaro chama de “indústria da multa dos pardais”, destaca o jornal. No fim de março, o presidente anunciou o cancelamento da instalação de mais de 8 mil radares eletrônicos em estradas do país e que contratos serão revisados para se ter certeza de sua real necessidade.

Enquanto isso, o jornal O Estado de S. Paulo informa que  o governo estuda alterar a política da Petrobras.

Uma das propostas apresentadas é a redução da margem de autonomia para a gerência de comercialização da companhia conceder o reajuste, que hoje varia de -7% a +7%, e a ampliação do número de pessoas a serem consultadas para alterar o preço dos combustíveis. 

Além disso, estuda-se uma política de preços que leve em conta uma média de quatro meses para cada reajuste mensal. O problema desse mecanismo é que, se o preço cair e a Petrobras não acompanhar, ela perde mercado para importadores, destaca a publicação.

Ontem, em reunião com Bolsonaro, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu que a política de preços é uma decisão da empresa, cabendo a ela definir a metodologia de reajuste.  

Após encontro com o ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, o CEO da Petrobras Roberto Castello Branco afirmou que ainda não há uma decisão sobre manter o reajuste no preço do óleo diesel, mas acrescentou que a empresa é “livre”.

Assim, os resultados da reunião de hoje às 16h30 entre o presidente Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, Tarcísio de Freitas (ministro da Infraestrutura), Bento Albuquerque (ministro de Minas e Energia),Roberto Castello Branco e Décio Oddone (diretor-geral da ANP) serão observados de perto pelo mercado. Afinal, é nesse encontro que pode ser batido o martelo. 

(Com Agência Estado) 

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