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Com Abraham Weintraub no MEC, Bolsonaro mantém base mobilizada e dobra aposta em "guerra cultural"

Decisão foi entendida como uma demonstração de força do grupo político mais próximo ao ideólogo Olavo de Carvalho e derrubou especulações sobre a possibilidade de uma indicação partidária para o cargo

Abraham Weintraub
(Casa Civil)

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, nesta segunda-feira (8), por meio de sua conta no Twitter, a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Em seu lugar, assumirá Abraham Weintraub, que até então atuava como secretário-executivo da Casa Civil, pasta comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni.

A decisão foi entendida como uma demonstração de força do grupo político mais próximo ao ideólogo Olavo de Carvalho e derrubou as especulações sobre a possibilidade de uma indicação partidária para o cargo, como circulou o nome do ex-ministro Mendonça Filho (DEM).

Leia também: Quem é Abraham Weintraub, o novo ministro da Educação de Bolsonaro

Para entender os significados políticos da escolha e suas consequências esperadas, o InfoMoney ouviu quatro analistas políticos:

Richard Back, chefe de análise política da XP Investimentos
"Perde Bolsonaro uma chance de ampliar politicamente sua base. A base social mais à direita do bolsonarismo jamais aceitaria que ele negociasse politicamente especificamente esta pasta. O grupo ideológico que acompanha o presidente desde os primórdios de sua candidatura definitivamente mostrou força e manteve o controle do ministério.

Abraham passou estes primeiros meses de governo como número 2 de Onyx Lorenzoni. Nesta posição que ocupava não há como não ter visto o que é a gestão do governo por dentro, o que o torna no mínimo mais experiente neste ponto que o ex-ministro Vélez".

Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria Integrada
"É uma escolha que revela a disposição do governo em manter a pasta da Educação bastante associada à agenda eleitoral, sobretudo pelo mecanismo de entender que uma das tarefas do atual governo é promover uma guinada bastante significativa em relação ao ideário ideológico dos governos anteriores. Os posicionamentos do novo ministro reforçam a leitura de que haveria uma ameaça de esquerda e que a pasta da Educação está associada a essa empreitada percebida pelo presidente e por seu núcleo mais próximo.

Com essa estratégia, ele segue na ideia de evitar dar estelionato eleitoral, apostando na agenda político-moral como um dos carros-chefe de sua administração, o que mostra que a curto prazo não deveremos ter grandes expectativas de inflexão na postura do presidente, a despeito dos sinais relativos à sua perda de capital político. Essa estratégia mantém mobilizada uma parcela do eleitoral, que me parece que sugere que também é pouco provável uma redução de popularidade no curto prazo, justamente porque ele contempla outros pontos da agenda em outras pastas que não a questão econômica".

Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores
"Em termos de trapalhadas, pior que o Velez é difícil. Mas ficou claro que Bolsonaro e seus conselheiros mais próximos querem um MEC ideologizado, com a missão de combater o pensamento de esquerda".

Carlos Eduardo Borenstein, analista político da Arko Advice
"É uma sinalização ao público conservador que defende uma "revolução cultural". A cruzada ideológica garante a mobilização da base bolsonarista. Com isso, ele garante aqueles 20% ou 30% do público conservador".

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