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Como foi o primeiro contato de Bolsonaro com a “velha política” no Planalto

Até agora o Planalto conseguiu fazer o primeiro aceno e prometer mais diálogo com o Congresso, com o presidente oferecendo-se para manter contato frequente com os parlamentares e dirigentes

Jair Bolsonaro
(Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro cedeu à pressão e realiza a primeira rodada de encontros com integrantes daquilo que ele mesmo já chamou de “velha política”. Caciques do PRB, PSD, PSDB, PP, DEM e MDB se reúnem com o presidente para discutir a relação dele com o Congresso.

Segundo relatos de alguns presentes, Bolsonaro falou menos nos encontros que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fiador da relação do presidente com os dirigentes partidários. Contudo, o presidente se demonstrou empenhado em aprovar a reforma da Previdência.

Bolsonaro demonstrou disposição em focar a pauta de seu governo na recuperação econômica, o que agradou aos participantes. Ouviu dos dirigentes que o Planalto terá de oferecer algo em troca para deputados que veem um prejuízo eleitoral em votar a favor da PEC, seja maior participação no governo ou mais espaço no Orçamento.

Os primeiros sinais foram dados. Bolsonaro criará o que chama de “conselhos políticos”. Serão dois. Um com os presidentes de partidos, que se reunirão a cada 30 dias. Outro, com líderes de bancadas que se alinham ao programa governista, também a cada 30 dias. O cronograma será feito para que os conselhos se reúnam de modo intercalado, a cada 15 dias.

As declarações à saída do encontro têm o lado positivo a Bolsonaro. Não houve nenhum posicionamento novo dos partidos. Gilberto Kassab disse que o PSD não “fechará questão” a favor da reforma, fato que já era sabido há dias. Geraldo Alckmin afirmou que o PSDB não integrará a base de apoio ao governo, mas votaria a favor daquilo que se encaixasse em seu programa ideológico.

ACM Neto, presidente do DEM, deu declarações no sentido de apoiar a aprovação da reforma da previdência e no esforço da criação de uma base de apoio ao governo. As reuniões periódicas com o Planalto devem começar a dar corpo a isso.

A análise dos integrantes do “Centrão e agregados” é que não há sentido em participar agora do governo, o que seria visto como fisiologismo. Isso não impede, porém, que o Planalto faça acertos pontuais com os parlamentares para convencê-los a votar a favor da Nova Previdência.

Alckmin aproveitou para criticar dois pontos na reforma da Previdência: o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a aposentadoria rural (outro fato de conhecimento público).

Em suma, até agora o Planalto conseguiu fazer o primeiro aceno e prometer mais diálogo com o Congresso, com o presidente oferecendo-se para manter contato frequente com os parlamentares e dirigentes. Ouviu críticas àquilo que só continua na Nova Previdência por mera formalidade – é quase consenso que mudanças no BPC e aposentadoria rural serão retiradas ou suavizadas.

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