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Reforma branda para militares enfraquece discurso do governo e abre porteira para desidratação no Congresso

Primeiros sinais dados pelo governo Jair Bolsonaro em projeto que tratará das mudanças das regras para aposentadorias dos militares são negativos

Paulo Guedes
(Valter Campanato/Agência Brasil)

Nova previdência pode prever recomposição salarial para militares

Foram ruins os primeiros sinais políticos da reforma dos militares. O ministro Paulo Guedes, que recém recebeu a proposta nesta semana, terá que lutar internamente no governo para melhorar o teor da reforma e gerar economia para o Tesouro. Desta forma, vale monitorar a disputa interna que se seguirá nos próximos dias e destacados abaixo: 

1- O primeiro sinal político já não foi o mais adequado, uma vez que teria sido bastante recomendável as reformas terem sido enviadas conjuntamente. Não foram, como todos sabemos.

2- Os próprios militares fazerem sua proposta soa um tanto estranho. Não vimos a mesma lógica na construção da reforma dos civis. O judiciário, Ministério Público e outras categorias de legislativo e executivo certamente não tiveram muita atividade na construção da proposta enviada ao Congresso. O normal é isso, inclusive.

3- Uma proposta de reforma que contenha recomposição salarial na mesma matéria é um erro político, porque passa sinais trocados. Ou se está combatendo privilégios e cada um está dando sua contribuição para tirar o Brasil da crise - discurso do governo -, ou se está concedendo reajustes. As duas coisas não andam juntas na vida real e não deveriam andar em proposta legislativa. A torcida deve ser para que o governo entenda este ponto e faça uma correção de rota até o envio final da reforma dos militares. Perder o discurso simbólico da reforma já na saída dá imensa força às corporações a zero de jogo.

4- Um dos riscos caso a proposta dos militares venha como o ventilado é justamente que o Congresso use a dos militares como paradigma para a dos civis, e não o contrário. Raríssimas vezes os parlamentares foram mais realistas que o rei. Se o governo tem uma proposta branda para uma categoria tão importante, sempre que alguma outra categoria pressionar os parlamentares a usarão como ponto. Vamos ouvir demais nos próximos meses a frase “ah, mas os militares não tem isso na reforma deles”. A ficar como está, terão até alguma razão os reclamantes.

5- O Congresso veria com maus olhos uma proposta apresentada nos moldes ventilados. Já sentimos que há alguma tensão entre a política e os militares, e certamente esta reforma não seria um ponto de apaziguamento.

6- O governo nos próximos dias deve se debruçar sobre esta reforma e seus impactos econômicos e políticos. Um giro rápido com parlamentares e uma avaliação política pé-no-chão certamente ofereceriam terreno para que o projeto enviado seja diferente do proposto.

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