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Guedes acertou ao adiar envio da proposta do pacto federativo, diz líder do MDB

Segundo Eduardo Braga (AM), líder do MDB no Senado, ministro mostrou "humildade" ao reconhecer que não era possível avançar neste momento com a medida

Paulo Guedes
(Fabio Rodrigues Pozzebom)

A decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, de adiar o envio da proposta que tira as "amarras" do Orçamento foi acertada, avalia o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). Para ele, o ministro mostrou "humildade" ao reconhecer que não era possível avançar neste momento com a medida que poderia mexer inclusive com os mínimos constitucionais em saúde e educação.

"O protagonismo do Senado não pode ser tirar dinheiro da saúde e da educação", avisa Braga em conversa com o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Ele diz ainda que o Senado "tem sido tolerante" com o governo do presidente Jair Bolsonaro, uma boa vontade tida como característica dos primeiros 100 dias, mas avisa que esse sentimento não dura para sempre. "Depois é a dura realidade."

Guedes disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que pretendia enviar logo a proposta de desvinculação e desindexação do Orçamento, num contexto de reformatação do Pacto Federativo, e que o texto começaria a tramitar pelo Senado para criar uma espécie de concorrência entre as duas Casas - enquanto a Câmara lida com a reforma da Previdência. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), chegou a dizer que a proposta chegaria no início de abril.

Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e integrantes da equipe econômica alertaram Guedes que a PEC da desvinculação é mais difícil de ser aprovada que a reforma da Previdência e dependerá de amplo debate no Congresso, principalmente porque envolve recursos de áreas sensíveis. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), manifestou a interlocutores temor de que a Casa perca protagonismo em meio ao debate da Previdência.

Um grupo de senadores deve ser criado para debater a questão do Pacto Federativo. Para Eduardo Braga, a proposta precisa ser bem discutida para não resultar na redução de recursos para áreas sensíveis como saúde e educação.

O MDB reúne a maior bancada no Senado e é a legenda do líder do governo. Apesar disso, Braga afirma que o partido terá atuação independente em relação ao governo Bolsonaro, apoiando algumas propostas e se opondo a outras.

Sobre a PEC da desvinculação, ele disse que Guedes correu risco de "tensionar" a relação com as bancadas da saúde e da educação no Senado e na Câmara, o que poderia ter reflexo na tramitação da reforma da Previdência. "Guedes fez bem. É o aprendizado, mostrou humildade. A capacidade de recuar não mostra fraqueza, pelo contrário, mostra força", afirma.

Para o líder do MDB, ainda que a discussão do pacto leve mais tempo, o Senado poderá atuar em outras frentes para ajudar na recuperação econômica do País, pauta que para ele é prioritária. "Não podemos criar pauta de costumes no Senado enquanto pessoas estão sofrendo com desemprego. É importante, mas não prioritária", avisa.

Articulação

Braga evita tecer críticas à articulação do time político de Bolsonaro, que tem sido alvejado por diversas lideranças no Congresso, e diz que o governo ainda "está se ajustando". Mesmo assim, esse prazo de adaptação pode acabar esbarrando na "dura realidade. "Tem duas formas de se conseguir as coisas: pelo amor ou pela dor", avalia.

Com Guedes, ele afirma que a relação ainda está em construção. Já sobre o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que é o articulador político do Palácio do Planalto, ele avalia que o diálogo tem ficado concentrado nas figuras de Alcolumbre (a quem Onyx apoiou na eleição para a presidência do Senado) e Bezerra.

Apoiador do senador Renan Calheiros (MDB-AL) na corrida pela presidência do Senado, Braga diz que Alcolumbre "tem se revelado um político habilidoso" e "capaz de ter humildade de dialogar para construir relações numa Casa de pares". Ele diz ainda que Renan quer ajudar na agenda para "resgatar o Brasil".

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