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BlackRock vê reforma como "cereja do bolo" para Brasil

Sinais de progresso nos esforços para reformar o pesado sistema previdenciário e recuperar a credibilidade fiscal aumentarão o otimismo dos investidores, diz Christensen.

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(Shutterstock)

(Bloomberg) -- Há mais fatores sustentando o rali no Brasil do que a simples esperança de que o governo corrigirá suas contas públicas, segundo Axel Christensen, da BlackRock.

A inflação, que subia fortemente há apenas alguns anos, está controlada mesmo com a taxa básica de juros na mínima histórica. A economia deve ter o terceiro ano de crescimento após a pior recessão de sua história. E o cenário externo melhorou para os mercados emergentes depois que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, deixou de sinalizar novos aumentos de juros.

Agora, sinais incipientes de progresso nos esforços do país para reformar o pesado sistema previdenciário -- um projeto de lei está prestes a ser enviado ao Congresso -- e recuperar a credibilidade fiscal só aumentarão o otimismo dos investidores, diz Christensen.

“Algumas das questões que normalmente preocupam os investidores em relação ao Brasil têm sido muito bem contidas”, disse Christensen, estrategista-chefe de investimentos da BlackRock para a América Latina e Iberia, em entrevista. “A agenda de reformas seria a cereja do bolo.”

Os ativos brasileiros avançaram neste ano com a aposta de que o presidente Jair Bolsonaro seria capaz de estimular o crescimento e levar adiante as mudanças fiscais necessárias para recuperar o grau de investimento do país. O otimismo garantiu ao Ibovespa o segundo maior ganho do mundo neste ano, se medido em dólares, e o real apresenta o melhor desempenho entre as principais moedas.

O país caminha na “direção correta”, mas qualquer tipo de hesitação ou dificuldade para a aprovação da reforma da Previdência pode fazer os investidores mudarem de ideia, disse Christensen. “Não é uma reforma simples e há grandes expectativas a respeito do novo governo.”

A visão de Christensen está alinhada à movimentação dos investidores estrangeiros, que mostram menos disposição para apostar na recuperação do Brasil e preferem esperar para ver se os planos de reforma dos sistemas previdenciário e tributário do país serão aprovados.

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Os múltiplos estão agora “no lado mais caro na comparação com seus níveis históricos”, disse, mas uma mudança para um status mais estável e previsível pode ter uma incidência na percepção a respeito do prêmio de risco do país e dar novo impulso aos ativos.

A BlackRock prefere empresas mais expostas ao setor doméstico no Brasil, na Colômbia, no Peru e no Chile. No México, a empresa está apostando que o setor de manufatura se sairá bem devido à certeza maior em relação ao acordo comercial com os EUA e o Canadá, disse, acrescentando que “algumas empresas orientadas às exportações também parecem bastante interessantes”. Na Argentina, a BlackRock prefere empresas de energia e agrícolas. Ele preferiu não dar detalhes sobre ações específicas.

 

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