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Previdência: 70% são contra idade mínima proposta por Bolsonaro, mostra XP/Ipespe

Números dão a dimensão do desafio que o governo terá em termos de comunicação com o eleitorado e de construção de uma base suficiente de apoio no parlamento

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Um dos pontos já conhecidos da proposta da reforma da Previdência que será encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira (20), a idade mínima de 65 anos para aposentadorias de homens e de 62 anos para mulheres é alvo de resistência de 70% dos brasileiros, embora a maioria entenda ser necessário promover mudanças no atual sistema de aposentadorias. É o que mostra pesquisa XP/Ipespe, a segunda realizada desde a posse do novo governo.

De acordo com o levantamento, realizado entre 11 e 13 de fevereiro, 41% dos entrevistados defendem que não sejam estabelecidas idades mínimas para se aposentar, apenas tempo de contribuição. Para 29%, a regra, fixada em 65/62 após acordo entre equipe econômica e presidente, deveria ser menor. Apenas 3% defendem que os números sejam maiores que os estabelecidos, ao passo que 23% concordam com a regra que deverá ser avaliada pelos parlamentares.

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Os números dão dimensão ao desafio que Bolsonaro terá em termos de comunicação com o eleitorado e de construção de uma base suficiente de apoio no parlamento.

Ao longo das negociações internas no governo pelo texto final, o ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu a o envio de uma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, o que Bolsonaro não aceitou. Segundo a pesquisa XP/Ipespe, 53% dos brasileiros defendem regras sem distinção por sexo, enquanto 44% discordam.

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Apesar das divergências em detalhes, 64% acreditam que a reforma da Previdência é uma medida necessária para o país, contra 29% que discordam. A diferença é menor do que a observada em janeiro, quando o grupo favorável à iniciativa somava 71% e o contrário, 22%. Já os que não souberam ou não quiseram responder estão em 7%, mesmo percentual da última sondagem.

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O entendimento da necessidade de se reformar o sistema previdenciário ocorre mesmo entre aqueles que acreditam serem afetados pela medida. De acordo com o levantamento, 60% avaliam que sofrerão com os impactos das mudanças, o que corresponde a uma oscilação ascendente de 2 pontos percentuais em comparação com o resultado de janeiro.

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Quando questionados sobre a inclusão dos militares na reforma, 52% dos entrevistados defendem que as mesmas regras dos demais trabalhadores sejam aplicadas à categoria – uma oscilação positiva de 2 p.p. em relação ao último levantamento. Já 19% defendem a inclusão, mas com regras especiais. Outros 23% dizem que as mudanças não deveriam afetar a categoria.

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Já do lado dos servidores públicos, as opiniões dos entrevistados quanto à possibilidade de aumento da contribuição da categoria para o sistema previdenciário se dividem. O percentual contrário à medida é levemente superior: 49% a 43%.

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Na opinião de 73% dos entrevistados, a reforma previdenciária deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional, ao passo que 21% estão mais céticos com essa possibilidade. Para que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) passe a vigorar, o governo precisa de ao menos 3/5 de apoio em duas votações em cada casa legislativa, o que corresponde a um mínimo de 308 deputados federais e 49 senadores.

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A pesquisa XP/Ipespe foi realizada entre os dias 11 e 13 de fevereiro, antes da crise envolvendo o financiamento de candidaturas do PSL ter atingido o núcleo duro do Palácio do Planalto e culminado na queda do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral). Foram feitas 1000 entrevistas telefônicas, conduzidas por operadores, com eleitores de todas as regiões do país. A margem máxima de erro é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

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