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Sérgio Moro como ministro da Justiça é um risco para ele e para o Brasil, diz The Economist

"Para alguns brasileiros, Moro sempre será condenado por ter parecido agir à margem da lei em sua busca por Lula. Para muitos outros ele é um herói", diz a revista

Sérgio Moro
(Marcelo Camargo/Agência Brasil )

SÃO PAULO - Na edição desta semana, a revista The Economist volta a falar sobre o Brasil, desta vez focando na escolha do ex-juiz federal Sérgio Moro para ser ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro.

Apesar de ser algo definido há meses, a publicação usa dos recentes acontecimento para afirmar que ele ter deixado o cargo de juiz é um risco tanto para a imagem dele quanto para o Brasil, principalmente por conta dos desafios que ele irá enfrentar como ministro.

O texto lembra que Moro foi importante na prisão de Lula e na decisão de evitar que o petista fosse candidato no ano passado, mas que, por outro lado, "Moro controvertidamente aceitou um trabalho de seu vencedor, Jair Bolsonaro, um incendiário que admira os ditadores militares".

"Sua missão é fazer com que o governo federal aplique o mesmo zelo que exercia em seu tribunal na luta contra a corrupção e o crime organizado e violento. É uma causa popular. Mas há riscos, tanto para sua reputação quanto para o Brasil", diz a Economist.

A revista destaca o primeiro grande caso da gestão de Moro na Justiça que é o seu pacote anticrime, que gerou muita discussão. Para algumas pessoas, o plano dá aos policiais licença para matar, mas o magistrado afirma que seu projeto não é tão diferente do que é feito em outros países.

"Para alguns brasileiros, Moro sempre será condenado por ter parecido agir à margem da lei em sua busca por Lula. Para muitos outros ele é um herói", diz o texto, lembrando ainda dos boatos de que o ministro poderia estar de olho em uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) no futuro.

"Tal como acontece com Paulo Guedes, o ministro da economia que agrada ao mercado, Bolsonaro precisa de Moro mais do que o ministro precisa do seu chefe", continua a Economist.

"Isso lhe dá o poder de restringir um presidente cuja carreira e declarações passadas mostram pouca devoção ao estado de direito. 'Qualquer governo deve ser julgado por suas ações', insiste o Sr. Moro. Isso agora inclui ele também", conclui a revista.

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