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Bolsonaro é o "maior vencedor de 2018", afirma Wall Street Journal

O presidente aparece em primeiro lugar em uma lista que inclui outros políticos controversos, como o presidente da Turquia e o ditador sírio Bashar al-Assad 

Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Michel Temer
(Marcelo Camargo)

SÃO PAULO - O ano passado foi cheio de percalços em todo o mundo por diferentes razões, mas uma pessoa se consagrou como o "grande vencedor de 2018" e esse alguém foi o presidente Jair Bolsonaro. Essa é a avaliação do jornal americano Wall Street Journal, em artigo publicado nesta semana e assinado pelo colunista Walter Russell Mead, acadêmico especializado em relações exteriores.

O presidente aparece em primeiro lugar em uma lista que inclui outros políticos polêmicos, como o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, o ditador sírio Bashar al-Assad e o ministro do Interior da Itália Matteo Salvini.

A despeito dos ventos contrários geopolíticos ou até mesmo por causa deles, esses líderes prosperaram em 2018 e o atual presidente brasileiro se destacou. O artigo aponta Bolsonaro como o "presidente mais improvável de um grande país nos tempos modernos" e uma "figura ainda mais polêmica do que Donald Trump", o presidente dos Estados Unidos. 

A publicação relembra que, em 2016, Bolsonaro dedicou seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pela tortura da ex-presidente durante a ditadura militar do país.

"Ele insultou grosseiramente mulheres, minorias sexuais e afro-brasileiros e elogiou o poderio militar no Brasil e no Chile", ressalta o artigo, que resume os 28 anos de trabalho de Bolsonaro no Congresso como "indistinto" e em que ele foi "amplamente rejeitado como uma figura marginal".

Nada disso importou em 2018, uma vez que o colapso econômico aliado a uma onda de crimes e ao pior escândalo de corrupção na história do Brasil destruíram a confiança da população público no establishment político. Uma espécie de "tempestade perfeita" levou Bolsonaro, em outubro, a conquistar as urnas com 55% dos votos no segundo turno.

Ele chegou aplicando muitas mudanças já nos primeiros dias de governo (e até antes mesmo disso). "Bolsonaro retirou a candidatura de seu antecessor para sediar a próxima rodada de negociações climáticas globais (a COP-25), retirou as referências a questões LGBT do ministério de direitos humanos do país, 'rebaixou' as reivindicações das populações indígenas, enviou soldados para áreas de alta criminalidade e anunciou planos para se mudar a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, desta forma deixando claro que ele pretende governar como ele fez campanha", ressalta o artigo do Wall Street Journal.

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A despeito das controvérsias, o artigo enfatiza a expectativa dos investidores de que o “Trump dos Trópicos” liberte a economia brasileira e reforme o dispendioso sistema previdenciário, enquanto setores com interesses especiais no tema se preparam para resistir às mudanças.

"É mais fácil mobilizar a ira pública do que realizar reformas efetivas; 2019 será um ano importante e desafiador para o Brasil e seu novo presidente", conclui o texto publicado pelo jornal norte-americano. 

 

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