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Relatório do Coaf aponta movimentação atípica de ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Segundo documento, em um ano transações somaram R$ 1,2 milhão. Há repasses identificados para uma ex-servidora de Jair Bolsonaro e a futura primeira-dama, Michele

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro
(Antonio Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Um relatório preparado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre transações financeiras de profissionais da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aponta movimentações financeiras atípicas do policial militar da reserva José Carlos de Queiroz, que trabalhou de 2007 a 15 de outubro de 2018 no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro e senador eleito para a próxima legislatura.

Conforme noticiou o jornal O Estado de S.Paulo ontem e nesta sexta-feira (7), constatou-se que Queiroz, que atuava como segurança e motorista de Flávio Bolsonaro, movimentou um total de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Segundo o Coaf, as movimentações financeiras identificadas são "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional" do ex-assessor. Em setembro, sua folha de pagamento indicava salário líquido de R$ 8.517,86.

Uma das transações identificadas é de um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro. O documento, que faz parte da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio, também cita movimentações de Fabrício José Carlos de Queiroz com as contas de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz, que, até o mês passado, era assessora lotada no gabinete do presidente eleito. O documento cita a ex-assessora em duas passagens e aponta um valor total transferido de R$ 84 mil, embora não deixe claro os valores individuais das movimentações. 

Segundo nota divulgada pelo MPF, o relatório foi espontaneamente difundido pelo Coaf em processo de compartilhamento de informações entre órgãos de investigação. O documento, que mapeou as movimentações financeiras de servidores da Alerj, foi anexado na investigação que culminou na prisão de 10 deputados estaduais do Rio. No texto, o MPF explica que "nem todos os nomes ali citados foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas".

Em nota divulgada por assessores, o senador eleito Flávio Bolsonaro defendeu seu ex-assessor. "Fabrício de Queiroz trabalha há mais de dez anos como segurança e motorista do deputado Flávio Bolsonaro, com quem construiu uma relação de amizade e confiança. O deputado não possui informação de qualquer fato que desabone sua conduta", diz o texto.

O acontecimento deu munição para a oposição. Ontem, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), ingressou com representação criminal na Procuradoria-Geral da República para pedir a instauração de um procedimento para investigar se Flávio e Michele Bolsonaro receberam repasses de dinheiro ilícito. Para o deputado petista, o repasse feito à futura primeira-dama, em tese, indica que recursos originários da Alerj estariam subsidiando suas despesas particulares.

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