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Pesquisa XP: 78% do "novo Congresso" apoia reforma da Previdência, mas idade mínima não é consenso

Segundo levantamento, 54% dos deputados e 47% dos senadores eleitos para a próxima legislatura ouvidos apontam reformas administrativa e previdenciária como prioridade para o próximo governo

Plenário, Câmara
(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Uma das medidas apontadas como prioritárias para o início do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a Reforma da Previdência é vista como matéria urgente pela maioria dos deputados e senadores eleitos para a próxima legislatura, mas a aplicação de uma idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens ainda alimenta dúvidas dos parlamentares. É o que mostra pesquisa realizada pela XP Investimentos em parceria com a Consultoria Contatos.

Segundo o levantamento, realizado entre os dias 20 de novembro e 4 de dezembro, 54% da Câmara eleita aponta as reformas administrativa e previdenciária como as matérias de maior urgência para o governo aprovar. Logo na sequência, aparecem o avanço com legislações sobre concessões e privatizações (11%); a reforma política (8%); e mudanças no pacto federativo (7%). Os percentuais estão próximos aos observados entre os deputados que estão no exercício do mandato.

Gráfico 1: O que será mais urgente para o novo governo aprovar? (Câmara)

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No Senado, 47% da nova composição da casa vê as reformas administrativa e previdenciária como prioridade para o próximo governo. Na sequência, aparecem a reforma política (27%) e mudanças no pacto federativo (7%). Assim como na fotografia da Câmara, os resultados entre os senadores novos e em exercício do mandato são similares.

Gráfico 2: O que será mais urgente para o novo governo aprovar? (Senado)

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Quando a pergunta é sobre a necessidade de se reformar o atual sistema previdenciário, 79% dos novos deputados e 73% dos novos senadores respondem afirmativamente, ao passo que 16% e 20%, respectivamente, discordam. Na Câmara e no Senado atuais, o grupo dos que concordam com mudanças nas regras para aposentadorias somam 79% e 73%, nesta ordem.

Gráfico 3: Acredita ser necessário reformar a previdência? (Câmara)

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Gráfico 4: Acredita ser necessário reformar a previdência? (Senado)

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Considerando o universo dos novos congressistas entrevistados pela pesquisa, o grupo de deputados e senadores que concordam com a necessidade de se reformar a Previdência soma 78% do total. Apesar das indicações de apoio, os parlamentares ainda têm dúvidas sobre a regra atualmente proposta pelo governo Michel Temer, que estabelece idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens.

Ontem, em coletiva de imprensa, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que a reforma previdenciária começará a ser votada "o mais rápido possível" e que ela será fatiada. Ele afirmou que o ponto inicial da agenda será a fixação de uma idade mínima para aposentadoria. Para obter êxito na iniciativa, o futuro governo terá que vencer as resistências e o ceticismo entre os parlamentares e a opinião pública.

Segundo a pesquisa XP/Contatos, 42% dos novos deputados concordam com a medida ou defendem idades ainda mais elevadas. Por outro lado, um em cada três novos deputados não souberam se posicionar sobre este ponto, enquanto 20% dizem que as idades requeridas deveriam ser menores. Os dados apontam para uma fotografia mais desafiadora na nova Câmara em comparação com a atual composição.

Gráfico 5: Qual sua posição em relação à proposta de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens? (Câmara)

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Gráfico 6: Qual sua posição em relação à proposta de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens? (Senado)

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Mesmo com tantas dúvidas, 68% dos novos deputados e 80% dos futuros senadores veem probabilidade de aprovação de uma reforma previdenciária com mudança constitucional no ano que vem. Os números também são similares aos resultados obtidos no recorte entre os atuais congressistas.

Gráfico 7: Acredita na aprovação de uma reforma da Previdência que envolva mudança constitucional em 2019? (Câmara)

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Gráfico 8: Acredita na aprovação de uma reforma da Previdência que envolva mudança constitucional em 2019? (Senado)

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Quando questionados sobre a possível estratégia do futuro governo de usar uma agenda calcada em pautas de costumes para paralelamente construir apoio a reformas econômicas no parlamento, os congressistas se dividem sobre as expectativas de eficácia.

Gráfico 9: Acredita que a agenda de comportamentos e costumes do futuro presidente...? (Câmara)

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Gráfico 10: Acredita que a agenda de comportamentos e costumes do futuro presidente...? (Senado)

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Para acessar a íntegra da pesquisa, clique aqui.

Metodologia

O levantamento, realizado entre os dias 20 de novembro e 4 de dezembro, ouviu 202 parlamentares de 25 partidos, divididos em três categorias: não reeleitos (65); reeleitos (67); e novos (70). Os questionários foram aplicados presencialmente, por telefone e meio digital.

Esta é a primeira pesquisa pública, com periodicidade mensal definida (trimestral), realizada com deputados e senadores. O objetivo é formar séries históricas para observar as impressões dos congressistas sobre sua própria relação e a de suas respectivas casas com o Poder Executivo, e a avaliação que fazem dos estados atual e futuro da economia brasileira.

A pesquisa, feita pela XP Investimentos em parceria com a Consultoria Contatos, procura respeitar a proporcionalidade das siglas em ambas as casas legislativas na realização das entrevistas. Este é o primeiro levantamento público, com periodicidade definida (trimestral), realizada com deputados e senadores.

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