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Haddad precisa converter 1 RJ de bolsonaristas em 2 dias para vencer eleição

Para derrubar favoritismo de Bolsonaro no segundo turno, Haddad depende de um movimento inédito de redução diária de mais de 8 pontos percentuais da distância para o deputado

Fernando Haddad
(Ricardo Stuckert)

SÃO PAULO - A nova pesquisa XP/Ipespe mostrou um quadro inalterado para a corrida presidencial a dois dias do segundo turno, com o deputado Jair Bolsonaro (PSL) liderando a disputa com 58% dos votos válidos contra 42% para o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT). Isso significa que, para virar o jogo, o petista depende de um movimento inédito de redução diária de mais de 8 pontos percentuais da distância para seu adversário.

Considerando inalterado o volume de votos válidos do primeiro turno da eleição (107.050.749 votos), Haddad precisaria "converter" mais de 8,5 milhões de eleitores – o equivalente aos votos válidos do Rio de Janeiro para a corrida presidencial no último 7 de outubro – em apenas dois dias e sem contar com o horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Ao longo da campanha, Haddad deu seu maior salto uma semana após a confirmação de sua candidatura no lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meados de setembro. Naquela situação, o ex-prefeito subiu 7,6 pontos percentuais em votos válidos no cenário de primeiro turno em um intervalo de uma semana, e foi alçado à segunda posição na disputa. Na semana seguinte, em 26 de setembro, houve outro salto de 5,2 p.p. em votos válidos.

Desta vez, o petista precisa crescer em 48 horas mais do que a soma daquele período, missão ainda mais complexa quando se nota que Haddad conta com índice de rejeição 11 p.p. superior ao de seu adversário e, nos dados por segmentação, lidera somente entre os eleitores menos escolarizados, mais pobres e do Nordeste. Em outras regiões, como Sul e Centro-oeste, o ex-prefeito paulistano chega a ter menos da metade do percentual de votos de Bolsonaro.

Para reduzir o volume de votos bolsonaristas a serem revertidos em um curto período, o petista teria que trabalhar para conquistar uma fatia dos brancos, nulos e indecisos ou fazer com que o crescimento da rejeição de seu adversário se traduza em perda efetiva de votos.

Segundo o levantamento, realizado nos dias 23 e 24 de outubro, em uma semana, o grupo de eleitores que dizem não votar em Bolsonaro de jeito nenhum foi de 34% para 36%. Mesmo assim, o resultado é menor em 23 pontos percentuais ao registrado há três semanas. No caso de Haddad, observou-se uma queda de 52% para atuais 47%. Este é o índice mais baixo do petista na série histórica, mas ainda está muito à frente do de seu adversário.

A pesquisa XP/Ipespe mostra um quadro de amplo favoritismo para Bolsonaro na disputa. Mesmo assim, aliados de Haddad mantém as esperanças de uma virada até o último instante da disputa. Ainda que a derrota seja o cenário mais provável para o petista, uma diferença menor nas urnas é um objetivo importante para o partido explicitar resistências de parcela expressiva da sociedade a um governo de seu adversário e organizar a oposição na arena política.

Datafolha

Ontem, pesquisa Datafolha mostrou que a distância entre os candidatos caiu de 18 para 12 pontos em uma semana, com Bolsonaro passando a contar com 56% dos votos válidos, contra 44% de Haddad. A despeito do movimento diverso, a fotografia é similar à XP/Ipespe desta sexta-feira, com diferença dentro da margem de erro.

Considerando os números do Datafolha, o petista precisaria converter 6,4 milhões de votos de seu adversário, caso mantido o número de votos válidos registrado no primeiro turno e o volume de brancos, nulos e indecisos indicado na pesquisa continue o mesmo. Isso corresponde a pouco menos de todos os votos válidos registrados na Bahia para a corrida presidencial no primeiro turno.

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