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William Waack: Bolsonaro não terá um dia de "lua de mel" em eventual governo

Em meio aos problemas que esperam o novo governo e o cenário mais hostil na relação com a imprensa, o novo governo não terá benefício da dúvida, aponta o jornalista 

SÃO PAULO - Na reta final das eleições, a campanha de Fernando Haddad (PT) conseguiu encontrar um fato político com as notícias de que empresários estariam bancando campanha paga contra o PT pelo WhatsApp. 

De acordo com a análise de William Waack, a investigação no STF (Supremo Tribunal Federal), que foi aberta sobre o assunto no fim da última semana, já começa pequena uma vez que é difícil conseguir provas.

Porém, produz o que o PT quer, que é um fato político e uma arma política para que o próximo governo, certamente de Jair Bolsonaro, já comece de certa forma pressionado por investigações e a possibilidade de julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de impugnação da chapa. 

De qualquer forma, o PT enfrenta um grande problema, que é fugir da "narrativa das tribos". Enquanto isso, a candidatura de Jair Bolsonaro foi bem-sucedida nesses termos, com a campanha se tornando mais abrangente na comparação com quem inicialmente o apoiava. 

Neste sentido, a campanha do Bolsonaro segue jogando na defensiva, levando em conta um possível desgaste uma vez que ele não participará de debates e também não estará nas campanhas de ruas por razões de saúde, o que também evita o confronto com o candidato que ele considera derrotado.

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"É óbvio que Bolsonaro nesta altura considera o PT derrotado, adota o tipo de postura que outros adotaram, que se chama minimizar prejuízos", avalia Waack. Ele reforça mais uma vez que o principal adversário de Bolsonaro é ele mesmo, uma vez que a sua campanha tem grande capacidade de produzir bobagens e abrir flancos para os adversários. O vídeo de Eduardo Bolsonaro afirmando que não seria difícil fechar o STF foi uma prova disso.

Olhando para a reta final, a campanha de Bolsonaro está falando em duas línguas, avalia o jornalista: a língua agressiva, mas também a língua de governo. "Quando começa a falar como governo sobre política econômica, acena para nomes dos atuais governo, sendo um reconhecimento da qualidade de integrantes da equipe técnica atual", com destaque para o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

A política internacional também é um ponto que deve merecer atenção do novo presidente, ressalta Waack: "o mundo que espera o novo presidente brasileiro é um mundo que se altera muito rápido, tem grande instabilidade e imprevisibilidade".

William Waack ainda ressalta que temos mais um problema a assinalar, tanto pela ferocidade com que a campanha foi levada quanto pelos desafios econômicos e de políticas doméstica e internacional que esperam o novo governo.

"Não haverá o benefício da dúvida, um eventual governo Bolsonaro não vai ter um dia de lua-de-mel nem com a imprensa internacional, nem com a imprensa nacional e nem com os problemas que esperam esse governo", aponta o jornalista.

No plano nacional, os problemas são a crise fiscal, que precisa ser atacada rapidamente. Na situação internacional, sobretudo do ponto de vista geopolítico, haverá mudanças muito rápidas que tornam pautas importantes muito instáveis. "Não haverá benefício da dúvida para esse governo. Se a campanha está achando que já ganhou, talvez tenha que falar mais ainda como governo", conclui Waack.

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