Em mercados / politica

Bolsonaro tem 58% dos votos válidos, contra 42% de Haddad, mostra XP/Ipespe

Deputado entra na reta final da disputa com vantagem de 16 pontos percentuais sobre seu adversário. Para virar o jogo, Haddad teria que reduzir diariamente a distância em mais de 1,78 p.p., movimento inédito para esta eleição

Bolsonaro e Haddad
(Tânia Regô / Marcelo Camargo / Agência Brasil)

SÃO PAULO - A nove dias do segundo turno, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) mantém ampla vantagem sobre o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial. Segundo pesquisa XP/Ipespe, realizada entre 15 e 17 de outubro, o militar reformado tem 58% dos votos válidos, contra 42% do petista. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-05349/2018 e tem margem máxima de erro de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O desempenho dos candidatos apresentou variações dentro da margem de erro em relação ao último levantamento, divulgado há uma semana, com a vantagem de Bolsonaro oscilando de 18 para 16 pontos. A distância é a mesma de quando esta simulação começou a ser feita pela pesquisa XP/Ipespe, em meados de julho. Naquela época, Haddad era apenas um nome cotado para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso após condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na disputa e era desconhecido por 27% do eleitorado. Hoje, a pouco mais de uma semana da eleição, 9% dizem não conhecê-lo suficientemente.

Em nenhum momento até aqui Haddad liderou a disputa. Agora, para virar o jogo, o petista teria de diminuir diariamente a distância para seu adversário em mais de 1,78 ponto percentual. Situação improvável, quando se nota que, nos recortes estratificados, ele só aparece à frente entre eleitores da região Nordeste e com menor nível de escolaridade. Desde que este cenário de segundo turno é testado, o ex-prefeito nunca acumulou um crescimento tão forte em uma semana. Além disso, ele hoje tem um índice de rejeição de 52%, contra 34% para Bolsonaro, o que limita seu poder de reação em um período tão curto.

O gráfico abaixo mostra a evolução do quadro de julho pra cá:

1) Cenário de segundo turno em votos válidos (desconsiderando brancos, nulos e indecisos)

ipespe1910b
Fonte: XP/Ipespe (BR-05349/2018)

Considerando os votos totais (além das intenções de voto nos dois candidatos, os brancos, nulos e indecisos), Bolsonaro lidera a disputa com apoio de 51% do eleitorado, contra 37% de Haddad. Votos em branco, nulos e eleitores indecisos somam 13%.

Neste momento da disputa, a contagem por votos totais também traz informações relevantes, já que mostra o contingente de eleitores que não apoiam nenhum dos candidatos e permite comparações com as intenções de voto em cada um.

No caso de uma disputa tão polarizada, uma das estratégias possíveis ao candidato que aparece atrás nas pesquisas é tentar avançar sobre o grupo dos "não votos". Contudo, os resultados da pesquisa indicam que tal movimento, mesmo se parcialmente exitoso, teria efeitos limitados, dada a comparação entre o atual patamar desta faixa do eleitorado e o histórico de pleitos anteriores. Ou seja, para reverter o quadro atual Haddad teria que roubar votos do próprio Bolsonaro.

Em termos gerais, os números apresentados por esta pesquisa são praticamente os mesmos de uma semana atrás, reafirmando o favoritismo de Bolsonaro. Vale lembrar que, a dois dias do primeiro turno, o quadro era de empate técnico entre os dois, com o deputado numericamente à frente por 43% a 42%. Na semana seguinte, porém, houve drástica mudança, com o militar da reserva crescendo 8 pontos e o petista recuando 6 pontos.

O gráfico abaixo mostra a evolução da disputa em votos totais:

2) Cenário de segundo turno em votos totais (incluindo brancos, nulos e indecisos)

ipespe1910a
Fonte: XP/Ipespe (BR-05349/2018)

Além da confortável distância aberta em termos gerais, o favoritismo de Bolsonaro também se verifica nos resultados por segmentação da recente pesquisa. O militar reformado leva melhor na disputa em todos os grupos de eleitores, exceto entre os que moram na região Nordeste, e aqueles com menor nível de escolaridade.

No primeiro grupo, Haddad conta com placar favorável de 54% contra 30% em votos totais. A vantagem caiu significativamente em relação à semana anterior, com o petista perdendo 10 pontos percentuais na região e Bolsonaro crescendo 8 pontos. Por outro lado, o petista melhorou em 6 p.p. seu desempenho no Sudeste, diminuindo para 15 p.p. a vantagem de seu adversário em votos totais.

Entre o eleitorado das classes D e E, Haddad cresceu 5 p.p. em relação à semana passada e foi para 43%. Com isso, voltou a estar numericamente à frente de Bolsonaro, que tem 42% neste grupo. O quadro, porém é de empate técnico. Já entre os que não concluíram o Ensino Médio, o petista voltou a liderar, com 47% contra 36%.

O ex-prefeito paulistano também melhorou seu desempenho entre as mulheres, passando de 37% para 42%, o que lhe coloca em situação de empate técnico com seu adversário, que aparece com 46%, mesmo percentual da semana anterior.

Nos demais recortes, é Bolsonaro quem aparece à frente. Sua vantagem é maior na região Sul (69% a 22%) e entre eleitores com renda familiar superior a 5 salários mínimos (61% a 28%). Mais detalhes estão no quadro comparativo abaixo:

ipespe1910c
Fonte: XP/Ipespe (BR-05349/2018)

Confira a série histórica das pesquisas XP/Ipespe

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 15 e 17 de outubro, e ouviu 2.000 entrevistados de todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores, com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas, e submetidos a verificação posterior em 20% dos casos. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 2,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-05349/2018 e teve custo de R$ 60.000,00.

O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais, a partir de 1998. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro.

Em entrevista concedida ao InfoMoney em 12 de junho, Lavareda explicou as diferenças de metodologias adotadas pelos institutos de pesquisa e defendeu a validade de levantamentos feitos tanto presencialmente quanto por telefone, desde que em ambos os casos procedimentos metodológicos sejam seguidos rigorosamente, com amostras bem construídas e ponderações bem feitas. Veja as explicações do sociólogo:

Quer ganhar dinheiro nesta eleição investindo com corretagem ZERO? Abra sua conta agora na Clear

 

Contato