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Reestreia de Bolsonaro e Haddad na TV tem discurso de medo e exploração de rejeição; assista

Enquanto Bolsonaro associa adversário ao comunismo e à corrupção, Haddad destaca episódios de violência política e fala em discurso agressivo do deputado

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro
(Reprodução)

SÃO PAULO - A estreia dos programas eleitorais de segundo turno no rádio e na televisão para a corrida presidencial foi marcada pela exploração da rejeição ao adversário e pela veiculação de um discurso do medo pelos candidatos. A primeira campanha a ser exibida em rede nacional foi a de Jair Bolsonaro (PSL), líder no primeiro turno e nas pesquisas para a segunda etapa da disputa. Ele e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) tiveram o mesmo tempo para seus programas: 5 minutos.

A propaganda eleitoral será exibida de segunda a sábado, em dois blocos diários. No rádio, o horário de propaganda terá início às 7h e às 12h; na televisão, o primeiro bloco do horário eleitoral começa às 13h e o segundo bloco às 20h30. As emissoras e canais também devem reservar 25 minutos diários, de segunda-feira a domingo, para inserções dos presidenciáveis.

Confira o programa de estreia dos dois candidatos no vídeo abaixo:

"Contra o comunismo"

No programa desta sexta-feira, Bolsonaro usou seu tempo para fazer críticas ao comunismo e ao petismo, associando as duas imagens. “O vermelho é um sinal de alerta para o que não queremos no país. A nossa bandeira é verde e amarela e nosso partido é o Brasil”, diz a propaganda do candidato. O vídeo cita o Foro de São Paulo, que classifica como "grupo político com viés ideológico, comunista, de esquerda liderado por Lula e Fidel Castro".

Preso há mais de seis meses após ser condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais alvos de Bolsonaro.

O candidato também usou seu tempo para agradecer aos eleitores pelos votos no primeiro turno e a Deus por sua vida. O candidato está em recuperação após levar uma facada durante um ato público de campanha em 6 de setembro, em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Ao apresentar seu perfil, o capitão reformado do Exército de 63 anos, exibiu a família, a esposa Michelle e os quatro filhos homens e também falou, emocionado, sobre a filha caçula, Laura. “Uma confissão. Eu já tinha decidido não ter mais filhos [...] Fui no Hospital Central do Exército e desfiz a vasectomia e mudou muito minha vida com a chegada da Laura”, disse.

A declaração sobre a filha foi uma resposta às críticas feitas durante a campanha a um vídeo em que Bolsonaro aparece dizendo que, de seus cinco filhos, "foram quatro homens, aí no quinto dei uma fraquejada e veio uma mulher". Apesar de ter melhorado seu desempenho entre o público feminino, o candidato ainda conta com significativa diferença de apoio por sexo.

Ao finalizar o programa, o candidato destacou sua atuação no Congresso Nacional, dizendo que é honesto, "nunca fez conchavos"e "sempre defendeu os valores da família".

A propaganda fala também da união do país. “Chegou a hora de o Brasil se unir e virar a página do passado e eleger um presidente que vai fazer o país crescer”, diz o locutor da propaganda.

"Precisamos de políticos honestos e patriotas, que falem de tudo. Um governo que saia do cangote da classe produtora. Temos certeza que desta forma teremos uma grande nação", diz Bolsonaro.

"Pela democracia"

Já Haddad buscou ampliar seu eleitorado para além das fronteiras do petismo, sabendo que precisa crescer entre outros públicos para reverter um quadro difícil para sua candidatura. O ex-prefeito paulistano tenta atrair novos apoiadores com o discurso em defesa da democracia.

Em seu programa, o candidato explorou os recentes episódios de violência motivados por divergência política. Segundo o programa, apoiadores de Jair Bolsonaro realizaram nos últimos dias pelo menos 50 agressões por “motivos fúteis” contra pessoas que declaram não votar no candidato do PSL.

Um dos casos mencionados foi o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê, ocorrido na noite do dia 7 de outubro, em Salvador. O artista levou 12 facadas de um homem em um bar após uma discussão entre os dois por causa da discordância entre ambos na escolha do candidato a presidente.

Na sequência, a campanha do petista defendeu que a democracia está em risco com a possibilidade de eleição de Bolsonaro. Para campanha de Haddad, o segundo turno que deveria ter um debate de propostas foi transformado em uma “onda de violência e intolerância”. Foram exibidos ainda depoimentos de pessoas que dizem amedrontadas pela escalada de violência e o crescimento do ódio.

Em um dos trechos do programa, a campanha de Haddad exibe vídeo de Bolsonaro em comício em Rio Branco, onde o adversário convocava os eleitores a "fuzilarem a petralhada". A fala foi acompanhada por gestos do deputado usando o tripé de uma câmera como sua arma.

Haddad falou em defesa da preservação de direitos e de como enfrentar o desafio da geração de empregos e garantia de comida na mesa. Ele propõe a criação do programa "Meu emprego de novo" para estimular contratações a partir da retomada de obras públicas paradas. O candidato aponta que é melhor o povo com um livro não mão do que com armas.

Em outro ponto, o programa também destacou o currículo do petista, que é doutor em filosofia, mestre em economia e professor universitário, recordando suas realizações como ministro da Educação. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numa breve passagem, ao lado de Haddad, fazendo uma declaração de elogio ao seu ex-ministro, lembrando de sua gestão à frende da pasta da Educação.

O programa de Haddad também trouxe novidades de comunicação. Além da mudança no logotipo da campanha, também foi introduzida uma apresentadora e um novo jingle, mais distante da figura de Lula, tocou.

com Agência Brasil

 

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