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Bolsonaro está no caminho para vencer a eleição, diz The Economist

"É mais fácil dizer contra o que os brasileiros se rebelaram - corrupção, crime e o caos econômico dos últimos anos - do que pelo o que eles votaram", diz a Economist

Jair Bolsonaro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Como tem sido cada vez mais comum, a revista britânica The Economist voltou a colocar o Brasil em sua edição semanal, desta vez destacando o resultado do primeiro turno das eleições e já apontando o favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL) para ser o próximo presidente do país.

De acordo com a publicação, o mercado já dá 85% de chance de uma vitória do deputado e isso seria "uma resposta extraordinária a uma série de traumas que se abateram sobre o maior país da América Latina nos últimos anos".

"Para consertar esses problemas, os brasileiros estão se voltando para um político provocador mais notável pelo extremismo de sua retórica do que por qualquer coisa que ele conseguiu em sete mandatos como congressista", diz a Economist ressaltando que Bolsonaro "insultou mulheres, negros e gays".

O texto destaca também a grande renovação da Câmara dos Deputados e aponta o poder que terá o PSL de Bolsonaro, que ainda deverá contar com o apoio do centrão para conseguir aprovar pautas importantes.

E diante disso, o que se vê é uma caminhada do país para o conservadorismo, como destaca o cientista político do Insper, Fernando Schüler, para a publicação: "as eleições mostram que o 'homem comum' tem atitudes conservadoras em relação ao casamento gay, ao aborto e à pena de morte".

"É mais fácil dizer contra o que os brasileiros se rebelaram - corrupção, crime e o caos econômico dos últimos anos - do que pelo o que eles votaram", diz a Economist.

Apesar disso, o texto reforça que quando o assunto é economia, o cenário é mais nebuloso e mesmo a presença de um liberal como Paulo Guedes na equipe de Bolsonaro não garante as reformas necessárias para o país. Isso porque o Congresso agora está ainda mais fragmentado, o que dificulta as relações, além do fato de que estes novos nomes da Câmara têm grande ligação com este conservadorismo.

Muitos brasileiros votaram em Bolsonaro não porque gostam dele, mas porque acham que o PT, que governou quando a economia caiu e a corrupção floresceu, é pior", destaca. E para isso, a Economist lembra que o PT já está se movimentando, com o nome de Lula sendo retirado da campanha de Fernando Haddad, que agora usa as cores da bandeira.

A revista conclui ressaltando a alta taxa de rejeição dos dois candidatos, com dados do Ibope pré-primeiro turno apontando 36% dos brasileiros que dizem que não votariam em Haddad, enquanto 43% não votariam em Bolsonaro. Citando Thiago de Aragão, da consultoria Arko Advice, a publicação diz que Bolsonaro pode ganhar "se ficar quieto", enquanto Haddad "deve falar em voz alta - em sua própria voz".

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