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As propostas de Felipe Rigoni, o primeiro deputado federal cego eleito no Brasil

Jovem capixaba promete mandato compartilhado ancorado em três bandeiras: eficiência de governo, educação básica e empregabilidade, todas com a premissa da igualdade de oportunidades 

Felipe Rigoni

SÃO PAULO - Com 84.405 votos, Felipe Rigoni (PSB) foi o segundo deputado federal mais votado do Espírito Santo nessas eleições, primeira vez em que concorreu ao cargo. A consagração nas urnas já seria um grande feito, mas o jovem capixaba conquistou algo ainda maior: tornar-se o primeiro deputado federal cego do Brasil. O novo membro da Câmara dos Deputados é o convidado do InfoMoney Entrevista desta terça-feira (16). O programa é transmitido ao vivo, a partir das 17h30 (horário de Brasília), pela IMTV.

Formado em engenharia de produção pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Rigoni já era destaque entre os colegas durante a graduação. Ele comandou a empresa júnior do curso e foi um dos responsáveis por aumentar o número de projetos de consultoria executados e o faturamento do grupo em um ano. Depois, comandou a Federação Mineira de empresas Juniores e chegou a presidir o Conselho da Brasil Júnior em 2015.

A escolha pelo caminho da política partiu de uma constatação, conforme contou em entrevista concedida ao InfoMoney em julho: de que além das próprias decisões, as pessoas precisam de um ambiente que dê oportunidades iguais, terem suporte e opções de escolha, disse.

Antes de se eleger deputado federal, Rigoni candidatou-se a vereador por Linhares pelo PSDB em 2016, mas não obteve êxito. Neste meio tempo, ele não abaixou a cabeça: fez mestrado em políticas públicas em Oxford como bolsista da Fundação Estudar, participou da fundação do movimento Acredito, que defende a renovação política, e participou da primeira turma de alunos do RenovaBR.

Suas propostas seguem o manifesto do Acredito, segundo Rigoni, formado por “liberais-progressistas": "liberais na economia e mais progressistas nos costumes”. Entre elas, está a de desempenhar um mandato compartilhado, em que as decisões são divididas entre representantes de várias instituições e grupos da sociedade civil.

A ideia do deputado é de convidar 100 instituições do Espírito Santo e nacionais para montarem um conselho parlamentar, que será responsável por definir, conjuntamente, "quantas e quais serão minhas emendas, como votar em determinada PEC”. “Haverá instituições de empresários, trabalhadores, deficientes, cidades. Para eu poder compartilhar isso com as pessoas e fazer o máximo possível”, disse cerca de três meses antes de ser eleito.

Sua campanha se baseia em três eixos: eficiência de governo, educação básica e empregabilidade, todas tendo como premissa a igualdade de oportunidades. “Algumas questões já estarão postas para o eleitor que votar em mim, mas a maioria das coisas não estarão e serão decididas no conselho”, disse. A ideia do mandato compartilhado é de aproximar o eleito e o eleitor.

Reformas
Uma das medidas que Rigoni considera prioritárias para a próxima legislatura é a implementação de uma reforma política. Para o sistema eleitoral especificamente, seu modelo preferido é o do voto distrital misto. "Acho que precisamos de uma proporcionalidade no Brasil, porque, além de muito grande, é muito diverso, e só o sistema proporcional consegue abarcar uma diversidade tão grande. Mas o jeito que é feito aqui gera muita distorção, é muito caro e distancia o eleito do eleitor e a governabilidade vai quase a zero. O distrital misto, com adaptações à realidade, seria uma solução muito boa. Aproximamos o cidadão do eleito, reduzimos os custos de campanha e o número de partidos, e forçamos os partidos a terem suas ideias concretas", defendeu.

O deputado eleito considera a reforma trabalhista aprovada pelo governo do presidente Michel Temer “boa, no geral”, mas aponta algumas alterações necessárias: buscar uma solução para que não se restrinja o acesso à Justiça, considerando que hoje as pessoas que entrarem com uma ação contra uma empresa e acabarem perdendo terão que pagar os honorários do advogado; uma mudança tributária para reduzir o custo da folha de pagamentos; e o fim do imposto sindical.

Quanto à reforma da Previdência, ele diz que ela tem que passar a atacar três problemas: o fim dos privilégios, principalmente no setor público; instituir uma idade mínima, mesmo que transitória; e mudar o regime de repartição para capitalização. “O bônus demográfico está acabando e a proporção de trabalhador para aposentado está diminuindo cada vez mais. Então, é simplesmente insustentável”, justifica.

Durante a entrevista concedida em julho ao InfoMoney, Rigoni ainda comentou sobre a operação Lava Jato, a gestão de Paulo Hartung à frente do governo do Espírito Santo, e sobre suas motivações na política. Confira a íntegra aqui.

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