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Economista do PT é vaiado em evento com investidores ao falar que “infelizmente Lula não será candidato”

Guilherme Mello foi um dos economistas que participaram do painel com os assessores de presidenciáveis na 8ª Expert XP

Guilherme Mello
(Thiago Ribeiro)

SÃO PAULO – Em painel com economistas dos presidenciáveis na 8ª Expert XP 2018, maior evento de investimentos da América Latina, Guilherme Mello, um dos responsáveis pela formulação do programa econômico do PT, foi vaiado pela plateia logo no início de sua exposição.

Mello afirmou ”que tinha orgulho de representar no evento a chapa de Fernando Haddad, da vice Manuela D’ávila e de Lula, que infelizmente não pode ser candidato”, recebendo então muitas manifestações contrárias da plateia.

Com as vaias, majoritariamente compostas por investidores, alongando-se, o mediador Valdo Cruz buscou fazer uma ponderação: “sabemos que esta campanha está muito polarizada, e estamos aqui para ouvir os economistas dos candidatos. Não façamos como eles”, recebendo posteriormente aplausos dos presentes no local.

Mello então continuou: “entendo que temos diferença de opinião, mas devemos ouvir os projetos com calma, sem rancor”. Posteriormente, ele trouxe mais detalhes sobre o programa de governo, afirmando que o ajuste precisa vir com crescimento e que o seu projeto tem como base princípios que já deram certo em outros momentos na economia.

“Devemos apostar no potencial na economia e no potencial de crédito, do emprego e da renda”, apontou, afirmando que o problema fiscal é grave, mas não vem sozinho. Mello ainda apontou que o programa do PT tem como eixos medidas emergenciais, retomando a renda e o crédito, a reforma tributária e do sistema bancário, além de discutir as reformas já feitas e chegar a um consenso na sociedade sobre elas. O último eixo é estrutural, de forma a mudar a estrutura da sociedade produtiva.

Ao InfoMoney, ele comentou após o evento as vaias da plateia: "eu recebo com naturalidade, essa é uma posição que as pessoas podem ter, mas que reflete também o momento de polarização que o Brasil vive”.

Em momentos posteriores, Mello também foi contestado, sendo um dos principais alvos dos demais economistas dos presidenciáveis. Um dos momentos mais emblemáticos e que também gerou reações da plateia foi quando ele afirmou que o período em que o Brasil teve a menor taxa de juro real foi no governo Dilma Rousseff, em um momento em que a discussão no painel era sobre se era mais importante manter a taxa de juro baixa ou a inflação baixa.

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O economista do PT rebateu uma declaração de José Márcio Camargo, coordenador do plano econômico de Henrique Meirelles (MDB), de que temos atualmente a menor taxa de juro da era moderna. “Não foi a menor taxa de juro da história, a menor foi no governo Dilma”, afirmou Mello. Vale ressaltar que, entre os anos de 2012 e 2013, o Banco Central durante o governo da petista promoveu um forte ciclo de redução de juro, mas que é duramente criticado por economistas uma vez que as expectativas de inflação não estavam ancoradas, fazendo com que os juros tivessem que subir ainda mais forte posteriormente para conter os preços.

Também estiveram presentes no evento, além de Mello e Camargo, Pérsio Arida, coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin (PSDB), Bazileu Margarido, assessor econômico de Marina Silva (Rede) e Nelson Marconi, assessor econômico de Ciro Gomes (PDT). 

Paulo Guedes, economista do candidato Jair Bolsonaro (PSL), não compareceu ao debate e foi atacado, particularmente por Pérsio Arida, que afirmou: “lamento a ausência do Paulo Guedes, que fugiu do debate mais uma vez. Mas hoje ele tem um motivo, de ter sido enquadrado pelo Bolsonaro por ter defendido CPMF, que geraria mais desequilíbrios’.

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