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Bolsonaro eleito no primeiro turno? Datafolha e Ibope mostram que é pouco provável

Considerando 4 pesquisas realizadas por distintos institutos, Bolsonaro precisaria crescer algo entre 12 e 16 pontos percentuais, uma herança de mais de 60% do total de votos dos adversários no "campo azul"

Jair Bolsonaro
(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )

SÃO PAULO - O crescimento ininterrupto do deputado Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas para a corrida presidencial e o início de um movimento de "voto útil" a seu favor, com indicações de desidratação de nomes do "campo azul" (Geraldo Alckmin, João Amoêdo, Henrique Meirelles e Álvaro Dias), deram força a especulações sobre a possibilidade de o candidato vencer a disputa em primeiro turno.

A 17 dias da corrida às urnas, o parlamentar se aproxima dos 30% de intenções de voto e acumula uma vantagem de cerca de ao menos 9 pontos percentuais (dependendo do levantamento considerado) em relação ao segundo colocado, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), também em disparada uma semana após ser oficializado substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.

Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa da maioria absoluta dos votos. Por este critério, não basta ao candidato simplesmente obter mais votos do que seus concorrentes. É preciso mais da metade dos votos válidos, ou seja, excluindo os votos em branco e nulos.

Pelas condições expostas nas mais recentes pesquisas, para isso acontecer, Bolsonaro teria que crescer algo entre 22 e 24 pontos percentuais. Em votos válidos, o salto necessário vai de 18 a 12 p.p., dependendo do levantamento considerado.

Isso significa que o parlamentar teria que converter mais de 60% dos votos hoje depositados em Alckmin, Meirelles, Amoêdo e Dias. Considerando a última pesquisa Ibope, Bolsonaro precisaria de 78% do apoio desses candidatos de centro-direita para liquidar o jogo sem necessidade de segundo turno. Missão complexa.

A tabela abaixo expõe a corrida presidencial em votos válidos:

Candidato Ibope Datafolha XP/Ipespe CNT/MDA
Jair Bolsonaro (PSL) 36% 34% 34% 38%
Marina Silva (Rede) 8% 8% 11% 6%
Fernando Haddad (PT) 24% 19% 13% 24%
Ciro Gomes (PDT) 14% 16% 16% 15%
Geraldo Alckmin (PSDB) 9% 11% 12% 8%
Álvaro Dias (Podemos) 3% 4% 5% 3%
Henrique Meirelles (MDB) 3% 2% 3% 2%
João Amoêdo (Novo) 3% 4% 5% 4%
Cabo Daciolo (Patriota) 1% 0% 0% 1%
Guilherme Boulos (PSOL) 0% 1% 1% 1%
Vera Lúcia (PSTU) 0% 1% 0% 0%
João Goulart Filho (PPL) 0% 0% 0% 0%
Eymael (DC) 0% 0% 0% 0%

Elaboração: InfoMoney

A tabela abaixo mostra o percentual de intenções de voto em Bolsonaro e a soma dos outros candidatos do chamado "campo azul" por pesquisa eleitoral. Na última linha, é apresentado o percentual mínimo que o deputado precisaria herdar deste grupo a partir de 'voto útil' para vencer a corrida no primeiro turno.

Intenções de voto Ibope Datafolha XP/Ipespe CNT/MDA
Bolsonaro 36% 34% 34% 38%
Alckmin + Meirelles + Amoêdo + Dias 18% 23% 25% 17%
Transferência necessária* 14 p.p. (78%) 16 p.p. (70%) 16 p.p. (63%) 12 p.p. (71%)

* Percentual de votos que Bolsonaro teria que herdar do total hoje depositado nos 4 adversários do 'campo azul'
Elaboração: InfoMoney

Os números demonstram cenário de baixa probabilidade para um encerramento da disputa no primeiro turno, por mais que já esteja acontecendo um movimento de 'voto útil' a pouco menos de três semanas do tão esperado 7 de outubro. Analistas políticos ouvidos pelo InfoMoney acreditam que Haddad deverá manter uma tendência de crescimento nas próximas pesquisas, ainda embalado pela herança de apoio lulista.

Há uma expectativa de que o petista avance sobre apoiadores de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) e eleitores que hoje ocupam o grupo dos "não voto" (brancos, nulos e indecisos), o que, se confirmado, reduziria as chances de uma vitória de Bolsonaro em primeiro turno. Afinal de contas, o 'voto útil' pode existir tanto do lado do antipetismo como no campo do antibolsonarismo.

Um cruzamento de dados a partir da última pesquisa XP/Ipespe mostra que Haddad herda cerca de 80% dos votos de Ciro e Marina em eventual disputa de segundo turno contra Bolsonaro. O risco de vitória do deputado no primeiro turno pode antecipar esse movimento preventivo na esquerda.

Outro entrave para o desempenho do parlamentar é sua taxa de rejeição. A tabela abaixo mostra o humor dos eleitores em relação aos principais candidatos de acordo com quatro institutos. Eventuais divergências também podem ocorrer por razões metodológicas e de aplicação dos questionários.

Candidato Ibope Datafolha XP/Ipespe CNT/MDA
Jair Bolsonaro (PSL) 42% 43% 57% 51%
Marina Silva (Rede) 26% 32% 64% 58%
Fernando Haddad (PT) 29% 29% 57% 47%
Ciro Gomes (PDT) 19% 22% 56% 38%
Geraldo Alckmin (PSDB) 20% 24% 60% 53%
Álvaro Dias (Podemos) 10% 15% 49% 32%
Henrique Meirelles (MDB) 12% 17%   49%
João Amoêdo (Novo) 9% 15% 42% 35%

Elaboração: InfoMoney

É neste contexto de percepção de adversidades que aliados de Bolsonaro tentam reforçar a narrativa de vitória em primeiro turno. "Claro que é um desejo de aliados, mas um sintoma das dificuldades que ele pode ter em eventual segundo turno. Eles devem estar enxergando isso, em função desses obstáculos com rejeição e o próprio quadro de saúde", avalia Carlos Eduardo Borenstein, analista político da consultoria Arko Advice.

Para o especialista, apesar das dificuldades do deputado, o cenário está muito aberto e indica uma possível disputa apertada entre os dois candidatos, caso ela se confirme em 7 de outubro. O que se espera é que o nome que melhor conseguir marchar em direção ao centro e controlar sua rejeição terá as maiores chances de êxito. Mas uma liquidação do jogo para qualquer um dos lados é hoje cenário improvável.

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