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Da Previdência ao apoio a Aécio, Marina Silva tentou defender sua coerência no JN

Ela foi a quarta candidata à presidência entrevistada pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, da TV Globo

Marina Silva no Jornal Nacional
(Reprodução/Youtube)

SÃO PAULO - Marina Silva (Rede) foi a quarta candidata à presidência entrevistada pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, da TV Globo, e precisou defender dois pontos frágeis de sua candidatura: sua capacidade de liderança diante do esvaziamento de seu partido e sua coerência ao trazer como vice Eduardo Jorge, do Partido Verde, do qual ela saiu em 2011 alegando divergências. 

"Em termos programáticos não há divergências [com o PV]. Não posso querer impor cultura partidária da Rede aos demais partidos. O importante é que em muitos aspectos temos muitas convergências", respondeu. "Não vejo incoerência nenhuma. Incoerência é fazer aliança por tempo de televisão", acrescentou.

A candidata defendeu que a perda de metade de sua bancada no Congresso para outras siglas é "um processo natural em uma democracia" e que mantém uma relação de respeito com os ex-integrantes da Rede e também de seu partido antigo. Ela ainda argumentou que as ideias que defende é "capaz de unir pessoas de diferentes partidos para governar o Brasil".

Questionada sobre sua capacidade de liderar quando sequer conseguiu unir o partido em torno de uma decisão única em relação ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (ela votou a favor, enquanto membros da Rede divergiram), Marina afirmou que "ser líder não é ser dono do partido" e que um líder é "capaz de dialogar com os diferentes", característica que ela diz possuir. 

Nesse ponto da entrevista, a candidata lembrou de Itamar Franco, que assumiu a Presidência após o impeachment de Fernando Collor, e disse que, assim como ele, ela afirma que conseguiria unir diferentes partidos em torno de ideias em comum para governar.

Uma das ideias mais debatidas em Brasília nos últimos meses é a reforma previdenciária, assunto do qual ela não toma posição, segundo os entrevistadores. Embora não tenha apresentado diretrizes específicas para o tema, Marina defendeu a necessidade de uma reforma da Previdência, com designação de idade mínima diferentes para homens e mulheres devido à sobrecarga de atividades domésticas, e alterações nos valores elevados pagos para aposentadorias no Judiciário e no Legislativo. As mudanças, segundo ela, seriam decididas após extenso debate com empresários, trabalhadores e especialistas. "É um problema complexo, que mexe com a vida das pessoas, não pode ser feito a 'toque de caixa", disse. 

Assim como nas sabatinas com outros candidatos, a corrupção teve espaço importante na transmissão que durou quase 29 minutos. A escolha de apoiar Aécio Neves, candidato à presidência em 2014, no segundo turno foi lembrada e cobrada, já que hoje ele se tornou réu por denúncias de corrupção em delações de executivos do grupo J&F. Marina disse desconhecer o envolvimento de Aécio com operações ilícitas e que, se fosse hoje, não daria seu apoio. 

Ao falar também sobre a citação de Eduardo Campos, que dividia chapa com Marina em 2014, em delações da Odebrecht e da JBS sobre recebimento de propina para a campanha, a dupla de jornalistas questionou a capacidade de Marina de avaliar os políticos com quem pretende se aliar. "Eu não tenho compromisso com erros", afirmou a candidata que disse estar mais atenta com o histórico de aliados após as denúncias da Lava Jato. 

Em seu minuto final, Marina relembrou sua trajetória até aqui, passando por sua alfabetização aos 16 anos, e destacando o fato de ser negra, mãe de quatro filhos, ex-seringueira e doméstica, ela buscou identificação com o eleitorado feminino e com menor escolaridade. 

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