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Alckmin "disputado" por Temer e PT, início da campanha e revelações do Japonês da Federal: os destaques da política

Confira os principais destaques do noticiário político desta quinta-feira (16)

Geraldo Alckmin
(Sergio Lima/CNI)

SÃO PAULO - A campanha começou! As eleições cada vez mais dominam o noticiário político e ganham a atenção dos jornais desta quinta-feira, ao mesmo tempo em que as falas dos candidatos e dos seus apoiadores (ainda que não muito bem-vindas) reverberam no mercado. Contudo, enquanto o pleito não chega, a Lava Jato e os problemas urgentes fiscais seguem no radar. Confira o que é destaque na política nesta quinta-feira:

Propaganda eleitoral começa...

Após o período de pedido de registro das candidaturas (e da revelação do patrimônio dos candidatos), nesta quinta-feira   tem início a campanha eleitoral. Pela legislação, as regras são rígidas e claras - exigem menos barulho e obediência a horários e normas. A propaganda eleitoral na internet é permitida desde que não seja paga. Os diretórios partidários deverão instalar nas sedes serviços telefônicos para atender aos eleitores. Porém, a sensação da população sobre o início das eleições deve começar a aumentar só no dia 31 de agosto, quando terá início o programa eleitoral na televisão. 

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Enquanto o horário na TV não começa, o assunto que deve dominar o noticiário é sobre quando e como o ex-presidente Lula será declarado inelegível. Horas depois de ter o seu pedido de candidatura registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com Fernando Haddad como vice-presidente na chapa, o ministro Luís Roberto Barroso foi designado relator do pedido de registro da candidatura petista.

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A expectativa é por uma análise célere e Barroso, que é ferrenho defensor da Lei da Ficha Limpa e da moralidade no serviço público, deve negar o registro da candidatura do petista ou submeter o caso ao Plenário o mais rapidamente possível. 

Em defesa de Lula, o PT contesta a distribuição no TSE para Barroso, com a defesa apontando que o registro deveria ter sido encaminhado diretamente ao ministro Admar Gonzaga, relator das ações do Movimento Brasil Livre (MBL) e de Alexandre Frota que pedem a impugnação da candidatura. A procuradora-geral eleitoral, Raquel Dodge, também questionou a candidatura. 

Enquanto a candidatura de Lula não é barrada, a partir de agora, o petista tem todos os direitos e deveres de um candidato, podendo fazer campanha na internet, divulgar vídeos pré-gravados antes da prisão, pedir voto, e arrecadar recursos, de acordo com a lei.

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Falando em campanha, Jair Bolsonaro, com 9 segundos no programa eleitoral, fará vídeos em casa e de seu celular, aponta a Coluna do Estadão. Ele pretende reforçar três frases na TV: “Pelo fortalecimento da Lava Jato”, “Pela revogação do Estatuto do Desarmamento” e “Em defesa da família”. Ao final, dirá o seu nome, o de seu partido e o número do seu partido, o "nanico" PSL. A campanha de Bolsonaro está focada nas redes sociais, onde ele também divulgou vídeo em que Wal, ex-secretária parlamentar do presidenciável, negou ter sido funcionária fantasma. 

Alckmin: entre Temer e PT?

Já Geraldo Alckmin, que conta de longe com o maior tempo de televisão, encontrou um problema pela frente logo no início da campanha. Após diversas declarações em que buscou se desvencilhar do impopular governo de Michel Temer, o próprio presidente, em entrevista à Folha, fez questão de se aproximar do tucano. 

Ao jornal,  Temer diz enxergar seu governo na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). “Se você dissesse: ‘quem o governo apoia?’. Parece que é o Alckmin, né?” O medebista apontou que os partidos de sua base, que aprovaram sua agenda de reformas, aderiram ao tucano e “vão estar no governo se ele ganhar”. Mas ponderou: "vou ter cautela para não fazer campanha para um ou outro. Até porque falam muito da impopularidade. Não quero nem incomodar, digamos".

Sim, o presidente está consciente de que não ajuda os candidatos ao ser associado a eles. Contudo, também ressaltou que o candidato de seu partido, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, não pode se dissociar do seu governo. "As pessoas precisam ser verdadeiras. Meu trabalho foi [...] mostrar ao MDB que deveria ter um candidato. Agora, o Meirelles tem que fazer uma campanha para... Não pode desligar-se do governo. Dizer 'eu não participei deste governo' é impossível", afirmou à publicação. 

Ainda sobre Alckmin, o candidato tucano prestou ontem à tarde depoimento  ao Ministério Público de São Paulo no inquérito que investiga caixa 2 nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Ontem, o  tucano afirmou que era “dever de quem está na vida pública cotidianamente prestar contas”. “Vou esclarecer o que quiserem que esclareça. As minhas campanhas sempre foram modestas e rigorosamente dentro da lei”, ressaltou o candidato do PSDB antes de depor. 

Por fim, uma aliança para as eleições pode estar em formação. Em entrevista à rádio Jovem Pan, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso disse não descartar um apoio entre seu partido, o PSDB, e o PT caso o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, chegue ao segundo turno. “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”, disse FHC. Vale ressaltar que, recentemente, Haddad fez aceno a Alckmin em entrevista ao O Globo.  “Trabalhei quatro anos com o Alckmin, nunca ouvi comentário maldoso sobre ele.” 

Lava Jato e declarações do Japonês da Federal

Enquanto as eleições não chegam, a Operação Lava Jato segue a todo vapor. Agentes da Polícia Federal prenderam hoje o banqueiro Edson Menezes. Ele é ex-superintendente do Banco Prosper e ex-presidente da Bolsa de Valores. Menezes, conhecido como Grande, é investigado pelo pagamento de propina para a contratação do Banco Prosper no processo de leilão do Berj (Banco do Estado do Rio de Janeiro). 

Falando em Lava Jato, um dos símbolos da Operação, o “Japonês da Federal” Newton Ishii foi entrevistado no programa “Conversa com Bial", da TV Globo. Ele afirmou que trabalhou para a ditadura militar, na década de 1970, sendo um espião durante os anos de chumbo.

Ishii afirmou que, embora tenha colaborado com a ditadura, prefere o período de democracia. "Tudo tem sua época. Mas democracia é essencial. Sou contra direita e esquerda", disse.

Os desafios econômicos e um motivo de alívio

Além de Lava Jato, os desafios fiscais, que devem ser uma das pautas das eleições, seguem no radar. De acordo com jornal Valor Econômico, a atual equipe econômica está elaborando uma série de documentos que pretende entregar aos assessores do próximo presidente da República, durante o período de transição de governo.

Serão elaborados estudos para cada uma das áreas mais sensíveis, do ponto de vista fiscal. Um documento, já produzido, trata das estatais. Outro tratará da situação dos Estados e municípios; e um terceiro, sobre os vários regimes de previdência social. Outros assuntos também serão analisados. Os estudos serão divulgados para toda a sociedade, pois o entendimento é que um maior conhecimento da real situação das contas da União pelo grande público ajudará o futuro governo a realizar as reformas necessárias.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que tem feito reuniões com a equipe econômica dos presidenciáveis, defendeu o teto de gastos em entrevista ao jornal O Globo. "Quem quer revogar o teto ou vai fazer um brutal aumento de imposto ou está dizendo que quer fazer o ajuste em mais de dez anos; isso não tem consistência", afirmou. Ele ainda destacou que, se a reforma da previdência não for feita, o teto será o menor dos problemas. 

Por outro lado, o próximo governo pode ter um alívio. De acordo com o Valor, a reforma tributária pode encontrar um caminho mais rápido para aprovação no Congresso logo depois das eleições. Por incentivo do presidente da Câmara dos Deputados e da comissão que discute uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para a unificação de tributos, foi protocolada a proposta do economista Bernard Appy, do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), o que pode acelerar a tramitação. Em meio a tantos problemas que o governo terá que enfrentar, notoriamente na área econômica, essa com certeza é uma boa notícia. 

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