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De Bolsonaro a Boulos: 7 observações sobre o debate entre os presidenciáveis na Band

Bolsonaro e Ciro comedidos, Alckmin perde oportunidade e o grande personagem: como os candidatos se saíram no debate na Band

debate band
(Kelly Fuzaro/Band)

O eleitorado assistiu ontem ao primeiro debate da campanha presidencial de 2018. Vamos a alguns pontos de consideração:

1 – Como esperado, foi um encontro que deu indícios das estratégias e da continuação da campanha, mas não trouxe nenhum elemento novo definidor dos rumos da eleição. O modelo, com oito candidatos, limita as interações e uma discussão mais detalhada. O zero a zero não foi ruim, porém, para quem está na frente nas pesquisas, como é o caso de Bolsonaro e Marina.

2 – A temida (ou esperada) explosão de Jair Bolsonaro não aconteceu em intensidade elevada que o comprometa daqui em diante. Ele até aparentou nervosismo, encurtou algumas respostas e teve menos desenvoltura do que nos vídeos normalmente distribuídos por sua militância, mas foi ele mesmo, sem se complicar.

3 – Geraldo Alckmin poderia ter saído maior do encontro se tivesse forçado uma comparação que o mostrasse mais preparado que o rival. Preferiu não fazer – escolheu Marina Silva para responder – e, se não saiu menor, ficou igual. E, ainda que o eleitor mais pobre não fosse o público preferencial do debate, o palavrório do tucano (modelo alemão, TLP, IVA...) mostra um desafio para comunicar às classes de baixa renda e escolaridade.

4 – A escolha dos candidatos, sobre qual rival vai responder à pergunta, é sintomática. Alckmin escolheu Marina duas vezes e, como dissemos, perdeu a chance de forçar a comparação direta com Bolsonaro. O deputado e Meirelles escolheram Alvaro Dias – candidato que dialoga com o público do tucano e pode ser útil para os dois rivais.

5 – O vácuo de Lula e do PT é simbólico. Exceto Guilherme Boulos no início – em uma versão Lula 1989 –, ninguém tentou explicitamente preencher essa lacuna. Indiretamente, Maria Silva é quem mais dialoga com esse eleitor.

6 – Alckmin, Marina e Ciro se valeram da experiência de outras campanhas presidenciais e pareceram, de certa forma, mais à vontade. Alckmin inclusive soube sair bem das investidas, mesmo que tímidas, de parte de alguns dos adversários. Marina adotou uma linha parecida com a de 2014 com o foco de que o que está aí não resolve e se colocando como uma terceira via. Ciro mostrou equilíbrio mesmo quando provocado.

7 – Cabo Daciolo virou personagem – toda campanha tem seu personagem. No debate, teve como efeito exercer o papel de “Bolsonaro do Bolsonaro”, fazendo as vezes do diferente. Isso tem um efeito principal: pela comparação, leva Bolsonaro para a categoria dos candidatos “sérios”, e reduz o contraste do deputado do PSL com os demais.

 

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