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Paranapanema e economista Roberto Giannetti da Fonseca são alvos de nova fase da Zelotes

 Giannetti da Fonseca é suspeito de ter recebido R$ 2,2 milhões em propina para favorecer a empresa, que conseguiu se livrar de débitos de cerca de R$ 900 milhões no Carf no ano de 2014

Roberto Giannetti
(Reprodução)

SÃO PAULO -  A Paranapanema (PMAM3) e o economista Roberto Giannetti da Fonseca, um dos assessores econômicos do pré-candidato à presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, estão entre os alvos da nova fase da operação Zelotes, deflagrada nesta quinta-feira. 

A nova fase da operação investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). 

Roberto Giannetti da Fonseca é suspeito de ter recebido R$ 2,2 milhões em propina para favorecer a empresa Paranapanema, que conseguiu se livrar de débitos de cerca de R$ 900 milhões no Carf no ano de 2014. 

As quebras de sigilo sinalizam que por meio de sua empresa de consultoria, Giannetti teria formado uma sociedade com um escritório de advocacia que atuou no caso e repassado recursos recebidos da Paranapanema para uma conselheira do conselho da Receita Federal e um advogado que teriam atuado ilicitamente junto aos responsáveis por julgar o caso.

"O caso sob investigação, que resultou na exoneração total de crédito tributário apurado em processo administrativo fiscal, foi operacionalizado mediante uma estrutura ilegal integrada por agentes públicos e privados que se organizaram, basicamente, em três núcleos de atuação: a) o núcleo econômico, composto pelos representantes da siderúrgica com processo no Carf, que teria financiado os custos do esquema; b) o núcleo operacional, integrado pelos responsáveis pela interlocução com os representantes da empresa, o aliciamento dos conselheiros e a distribuição do proveito financeiro do empreendimento espúrio; e, finalmente, c) o núcleo administrativo, centrado nos conselheiros que ocupavam a função de julgadores, vinculados às diretrizes de favorecimento às empresas nos julgamentos administrativos", explicou a Receita Federal em nota.

"Com base nos indícios da existência de esquema ilícito concebido para interferir em julgamento proferido pelo Carf, com prejuízo à Administração Pública estimado em valores superiores a 400 milhões de reais, conforme destacado em relatório elaborado pelos investigadores, o MPF solicitou, além da realização de busca e apreensão, o afastamento do sigilo dos registros dos dados telefônicos, do sigilo telemático e dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. A Justiça Federal autorizou todas as diligências propostas, visando a instruir a investigação em torno do favorecimento ilícito da empresa fiscalizada mediante o direcionamento de decisões proferidas pelo tribunal administrativo fazendário", acrescenta.

A Operação Zelotes, que foi deflagrada em 26 de março de 2015, tem revelado as mais variadas práticas de ilícitos envolvendo julgamentos de processos no Carf. Até o momento, as apurações totalizam vinte ações penais, dezoito processos administrativos disciplinares, quatro processos de responsabilização de pessoas jurídicas e sete arguições de nulidade de decisão já admitidas e em tramitação junto ao Conselho.

Em coletiva à imprensa, Frederico Paiva, procurador do Ministério Público Federal, disse que há "sólidos
indícios" de que o julgamento foi corrompido por agentes públicos e privados. Ele informou que a Operação visa arrecadar provas que possam esclarecer mais pontos e afirmou que essa é provavelmente a última fase da Operação Zelotes.

(Com Agência Estado) 

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