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Polêmica política faz Özil se aposentar da seleção da Alemanha e levanta debate no país

Meia da seleção alemã decidiu que não jogará mais pelo seu país após críticas por foto tirada antes da Copa do Mundo com presidente turco

Mesut Ozil
(Divulgação)

SÃO PAULO - Antes mesmo do início da Copa do Mundo, uma polêmica caiu sobe a seleção da Alemanha após dois jogadores tirarem uma foto com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O fato chegou a ser usado como motivo para o vexame do time no mundial e no último domingo ganhou mais um capítulo com o anúncio da aposentadoria da seleção de Mesut Özil, um dos envolvidos no caso.

A polêmica abre novamente uma ferida alemã sobre os imigrantes e casos de xenofobia e racismo que cresceram muito no país nos últimos anos. A foto em que Özil, do Arsenal, e Ilkay Gündogan, do Manchester City, aparecem tem gerado duras críticas de torcedores, imprensa e até mesmo de dirigentes da federação de futebol do país, sendo interpretada como um apoio à campanha de reeleição de Erdogan.

"Com dor no coração e depois de muito considerar os eventos recentes, não vou mais jogar pela Alemanha em nível internacional uma vez que sinto este sentimento de racismo e desrespeito", declarou Özil em grande comunicado emitido pelo Twitter.

O meia campeão mundial com a Alemanha em 2014 é filho de imigrantes da Turquia e disse na nota que já foi ofendido de diferentes formas, com expressões como "porco turco" e turco de m...". Ele ainda criticou duramente o presidente da federação alemã de futebol Reinhard Grindel, afirmando que ele tem um "histórico de discriminação racial".

"Em 2004, enquanto você (Grindel) era membro do Parlamento (alemão), você reclamou que 'o multiculturalismo é na verdade um mito, uma mentira duradoura'", diz Özil no documento.

O caso é tão delicado que agitou o mundo político alemão. Por meio de uma porta-voz, a primeira-ministra Angela Merkel afirmou que respeita a decisão do jogador: "a chanceler tem um grande apreço por Özil. Ele é um jogador que contribuiu muito para a seleção alemã".

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Já a ministra da Justiça, Katarina Barley, disse que o episódio serve de advertência para o país. "É um sinal de alarme quando um grande jogador alemão, como Mesut Özil, não se sente mais desejado no seu país por causa de racismo", escreveu no Twitter.

O Ministro do Exterior Heiko Maas, por sua vez, disse que ambos os lados erraram e criticou o jogador: "eu não acredito que o caso de um multimilionário que reside e trabalha na Inglaterra diga algo sobre a integração na Alemanha", afirmou.

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