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Candidatos estão mais preocupados em criar memes do que em apresentar propostas, diz Gustavo Franco

Ex-presidente do Banco Central diz estar havendo uma "memerização" da política

SÃO PAULO - Durante o bloco de perguntas e respostas do programa Painel WW, apresentado na última quarta-feira (18), o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco foi questionado sobre o que o eleitor pode fazer para escolher um candidato que realmente possa mudar a situação fiscal do País. Para ele, o grande problema, porém, é que estamos passando por uma disputa midiática, com poucas propostas.

"Minha sensação vendo muitos candidatos, é que há um descolamento entre o que eles falam nas redes sociais - frases de efeito, memes, uma espécie de 'memerização' da política pela qual o cara está mais preocupado em fazer uma frase de efeito, uma imagem bonitinha, do que apresentar uma coisa séria e sensível, sobre problemas sérios que nós temos, que não são pequenos", afirma o economista.

Franco também diz que muitos dos candidatos "estão querendo posar de liberais, pró-mercado, pró-empreendedor, embora o histórico de grande parte deles não tenha nada a ver com isso". Segundo ele, muitos destes políticos sempre foram contras a pautas pró-mercado e um exemplo seria o governo do presidente Michel Temer, que "não tem nenhuma afinidade com as agendas de equilíbrio fiscal e responsabilidade fiscal".

Para o economista, o atual governo criou de forma oportunista um programa que vai nesta linha, mesmo que de forma "diluída", com a intenção de chegar no atual momento com uma posição eleitoralmente competitiva. "Claro que isso falhou. Falhou por várias razões, uma delas, talvez menor, mas importante, é que faltou sinceridade e convicção", explica. "Então, hoje nós estamos vendo aí gente falando de privatização, de equilíbrio fiscal, e não acredita nisso", conclui Franco.

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