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Bolsonaro, Lula, Marina: Qual é o perfil de quem vota neles para presidente?

Apesar de momento de profunda indefinição na corrida presidencial, alguns dos principais nomes já apresentam significativas diferenças em nível de apoio entre os mais distintos grupos de eleitores

Bolsonaro, Lula e Marina

SÃO PAULO - A três meses do primeiro turno, muitos eleitores não sabem em quem votar, enquanto uma série de candidaturas e alianças estão pendentes do lado dos partidos. Mesmo em um ambiente de profunda indefinição, os principais nomes que disputam a presidência já apresentam significativas diferenças em nível de apoio entre os mais distintos grupos de eleitores. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, é mais forte no Nordeste. Já o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) tem maior apelo entre homens mais jovens, ao passo que Geraldo Alckmin (PSDB) hoje se ampara no eleitorado do Sudeste.

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Para se ter uma ideia mais clara de como os brasileiros estão divididos neste momento sobre a corrida presidencial, a série de pesquisas realizadas pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), por encomenda da XP Investimentos, traz informações valiosas. Até a última sexta-feira, foram feitos sete levantamentos semanais, todos com abrangência nacional e a mesma metodologia, com possibilidade de estratificação por região, idade, sexo, grau de escolaridade, renda etc. Eis algumas possíveis interpretações dos dados (foram considerados apenas os candidatos com maior intenção de votos, para se ter um nível maior de confiança na aferição das variações entre cenários e levantamentos anteriores):

Lula

A cidadela do ex-presidente é a região Nordeste, onde o apoio à sua candidatura chega a 50% no único cenário de primeiro turno que considera sua candidatura, ao passo que seu ponto fraco concentra-se no Sul. Na segunda semana de junho, o apoio nesta região era de 41%. Na estratificação por sexo ou idade, o desempenho de Lula apresenta pouca diferença entre as distintas faixas de eleitores. Por outro lado, nos critérios de escolaridade e renda, o petista tem desempenhos distintos. Como mostra o levantamento, o ex-presidente possui maior entre eleitores que cursaram até o Ensino Médio (35% até o quinto ano e 50% com até o oitavo ano) e com renda familiar mensal de até dois salários mínimos (41% com rendimentos inferiores a um salário mínimo e 33% entre um e dois salários).

Jair Bolsonaro

A maior parte dos apoiadores do parlamentar está localizada nas regiões Sul (26-32%) e Centro-oeste (28-38%), ao passo que seu calcanhar de aquiles é o Nordeste (10-17%). Homens (28-33%) são muito mais receptivos à sua candidatura do que mulheres (12-14%), assim como eleitores de até 34 anos em comparação ao grupo com idade acima de 55 anos (14-18%). Do ponto de vista do grau de escolaridade, eleitores que não concluíram o Ensino Fundamental declaram menor apoio a Bolsonaro (5-9% até o quinto ano e 7-25% com até o oitavo ano). Na simulação que considera a candidatura do ex-presidente Lula, o desempenho do parlamentar nesta faixa de eleitores caiu ao longo das pesquisas, de 25% em maio para 7% em julho. Resistência ao nome do deputado também é observada entre entrevistados com renda familiar mensal inferior a um salário mínimo (13-16% com rendimentos inferiores a um salário mínimo e 17-23% entre um e dois salários) e desempregados (17-27%).

Marina Silva

A pré-candidata da Rede tem comportamento oposto ao de Bolsonaro, com bom melhor desempenho entre mulheres (12-16%) e no Nordeste (17-18%, sem Lula) e Norte (21%). Assim como Bolsonaro, Marina tem maioria de seu eleitorado evangélica (14-17%). Em uma comparação entre seu desempenho nas simulações sem Lula e quando a candidatura do ex-presidente é considerada, Marina perde muita força no Nordeste, minguando de 18% para 9%. O eleitorado da ex-ministra é bem distribuído entre faixas de renda e distintos níveis de escolaridade, ligeiramente superior entre as camadas mais pobres.

Ciro Gomes

O ex-governador do Ceará divide com Marina Silva os eleitores do Nordeste na ausência do ex-presidente Lula, com algo entre 15% e 17% das intenções de voto. O eleitorado de Ciro está bem distribuído entre homens (7-10%) e mulheres (7-10%) de variadas idades. Seu desempenho é ligeiramente melhor entre os entrevistados com rendimento familiar entre 5 e 20 salários mínimos (13-15%). Quando Lula entra na disputa, o apoio ao pedetista cai para 8%. Ciro também perde votos entre eleitores com renda familiar mensal de até 5 salários mínimos.

Geraldo Alckmin

A maior parte do apoio ao tucano está concentrada no Sudeste (11-13%). Ainda assim, ele não é o pré-candidato que mais pontua na região, perdendo para Bolsonaro (19-24%) e Lula (20%) e empatando tecnicamente com Marina Silva (9-10%). Alckmin também tem apoio ligeiramente maior entre eleitores com mais de 35 anos. Seu eleitorado está bem distribuído em distintas faixas de escolaridade e renda.

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