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Bolsonaro mantém liderança sem Lula, mas empata em todos os cenários de 2º turno, mostra XP/Ipespe

Com resultados apresentados, não é possível cravar quem seria o adversário do parlamentar se eleição fosse hoje

Jair Bolsonaro
(Agência Câmara)

SÃO PAULO - Se a eleição fosse hoje, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) seria o candidato mais bem votado entre os nomes presentes nas simulações de primeiro turno que desconsideram a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e estaria no segundo turno. De acordo com os cenários estimulados testados pela pesquisa XP/Ipespe, realizada entre 2 e 4 de julho, o parlamentar tem entre 21% e 23% das intenções de voto na ausência do petista, oscilando 1 ponto percentual para cima em todas as simulações, dentro da margem de erro, de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo. A pesquisa também mostrou que a televisão ainda será o meio com maior influência sobre a decisão de voto dos eleitores (leia mais aqui).

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Com os resultados apresentados, não seria possível cravar quem seria seu adversário se a decisão ocorresse hoje. No cenário mais indefinido e que possivelmente melhor projeta a largada da corrida presidencial, cinco candidatos aparecem tecnicamente empatados: Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (Podemos) e Fernando Haddad (PT), mediante apoio de Lula. O petista salta do patamar de 2% das intenções de voto para 11% com a simples inclusão da informação de que seria o nome apoiado por Lula, em um exercício que testa o poder de transferência de votos do ex-presidente. As oscilações apresentadas estão dentro da margem máxima de erro quando comparadas aos resultados das últimas quatro semanas.

Quando a candidatura de Lula (PT) é considerada, o ex-presidente lidera isolado, com 28% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro, que tem 20%. Logo depois, vem um pelotão de candidatos tecnicamente empatados: Marina Silva, com 9%; Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, ambos com 7%; e Álvaro Dias, com 5%. Brancos, nulos e indecisos somam 19% dos entrevistados. Nas outras simulações, sem a candidatura do líder petista, este grupo de eleitores chega a 35%.

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados, Bolsonaro tem 14% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Lula, que aparece com 12%. Outros candidatos não passam dos 2%, ao passo que os "não voto", neste caso, marcam 64% do eleitorado.

Confira os cenários testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: nomes dos candidatos 

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Cenário 1: sem candidato do PT

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Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

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Cenário 3: com Lula candidato

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Cenário 4: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

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Segundo turno

Foram testadas seis situações de segundo turno na pesquisa XP/Ipespe. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 28% a 20%, com 45% de brancos, nulos e indecisos. Na terceira semana de maio, eles chegaram a aparecer tecnicamente empatados, mas a diferença começou a crescer nas pesquisas seguintes.

Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista apareceria numericamente à frente, por 39% a 33%, dentro da margem máxima de erro, e com 29% de brancos, nulos e indecisos. Uma semana atrás, a vantagem era de 7 pontos, o que não configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, mas também em situação de empate técnico.

Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 34% a 32%. Brancos, nulos e indecisos somam 35%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais na quarta semana de maio.

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a ex-senadora numericamente à frente por 36% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somam 31%. O deputado esteve numericamente à frente nos primeiros dois levantamentos da série, realizados na segunda e terceira semanas de maio. Nestes casos, a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais a favor do parlamentar.

Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 33% a 31%. Brancos, nulos e indecisos somam 37%. Uma semana atrás, os dois apareciam com 32% das intenções de voto.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o cenário também seria de empate técnico (como nas últimas quatro semanas), com o parlamentar numericamente à frente, por 34% das intenções de voto a 31%. Brancos, nulos e indecisos somam 34%. Nos dois primeiros levantamentos, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma da margem de erro dos candidatos.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. O líder em rejeição continua sendo Lula, agora com taxa de 62%, mas tecnicamente empatado com quatro outros possíveis candidatos: Ciro Gomes (59%), Geraldo Alckmin (59%), Marina Silva (58%) e Fernando Haddad (57%). A trajetória dos principais nomes está na tabela abaixo:

CANDIDATO DE 21/05 A 23/05 DE 04/06 A 06/06 DE 11/06 A 13/06 DE 18/06 A 20/06 DE 25/06 A 27/06 DE 02/07 A 04/07
Lula 60% 60% 60% 60% 61% 62%
Jair Bolsonaro 47% 54% 52% 53% 52% 52%
Marina Silva 55% 60% 57% 60% 57% 58%
Ciro Gomes 53% 58% 56% 60% 59% 59%
Geraldo Alckmin 53% 59% 60% 60% 59% 59%
Álvaro Dias 45% 47% 41% 45% 48% 48%
Fernando Haddad 56% 59% 57% 58% 58% 57%

Fonte: XP/Ipespe

Para acessar a íntegra da pesquisa, clique aqui.

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 2 e 4 de julho, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-04338/2018 e teve custo de R$ 30.000,00. Para ter acesso ao questionário aplicado, clique aqui.

O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro.

Em entrevista concedida ao InfoMoney em 12 de junho, Lavareda explicou as diferenças de metodologias adotadas pelos institutos de pesquisa e defendeu a validade de levantamentos feitos tanto presencialmente quanto por telefone, desde que em ambos os casos procedimentos metodológicos sejam seguidos rigorosamente, com amostras bem construídas e ponderações bem feitas. Veja as explicações do sociólogo:

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