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Lula "declara guerra" ao STF e dobra aposta em vitimização para transferir votos

Ordem no partido agora é ampliar ao máximo pressão sobre Judiciário, para que se tenha alguma definição sobre a situação legal e eleitoral do ex-presidente

Lula
(Filipe Araújo)

SÃO PAULO - O manifesto divulgado ontem pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a volta do tom belicoso em sua defesa jurídica, em meio ao afastamento da conciliadora figura de Sepúlveda Pertence da equipe de advogados. Com isso, volta a ganhar força Cristiano Zanin e a estratégia de maior enfrentamento ao Judiciário.

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Na carta, lida pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), Lula atribui "manobras" ao relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, e insinua uma tentativa de manipular o resultado do julgamento, com o encaminhamento do caso ao pleno em vez da Segunda Turma, como alegava a defesa do petista.

Para a equipe de analistas políticos da XP Investimentos, o manifesto pode ser considerado uma espécie de "sinal verde" ou "salve geral" dado pelo principal líder aos demais integrantes da tropa. A ordem seria ampliar ao máximo a pressão sobre o Judiciário para que se tenha alguma definição, o quanto antes, sobre a situação legal e eleitoral do de Lula. Agora, é tudo ou nada.

"Seguindo essa linha, a tendência é que nas próximas semanas aumente o número de manifestos de diferentes lideranças ligadas a Lula. Apesar disso, a avaliação dentro do núcleo duro do PT é a de que a situação jurídica do ex-presidente permanece 'bastante complicada'", observaram os especialistas da XP.

Apesar das chances diminutas de êxito pela liberdade e candidatura de Lula, a estratégia tende a ser a manutenção do discurso de vitimização. Até a apresentação do pedido de registro de candidatura, esperada para 15 de agosto, a ordem é aproveitar oportunidades jurídicas, embora os resultados esperados sejam novas derrotas.

"O interessante é que dentro dessa linha de vitimização, por mais que pareça contraditório com as atuais ações dos petistas, há uma estratégia de campanha marcada pelo entendimento de que quanto mais Lula ficar preso, mais ele consegue somar votos para o partido", observaram os analistas.

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