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Lula cada vez menos candidato, Bolsonaro cristalizado no teto: 5 possíveis conclusões sobre as novas pesquisas

O deputado Jair Bolsonaro seguiu na liderança nos cenários sem o ex-presidente Lula, mas o grupo dos "não voto" segue indicando ambiente de indefinição

Faixa presidencial
(Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

SÃO PAULO - Apesar das metodologias distintas, a pesquisa Datafolha divulgada no último domingo mostrou situação similar à apresentada por levantamento telefônico pelo Ipespe por encomenda da XP Investimentos, com boa parte dos resultados de primeiro turno dentro da margem de erro máxima. O deputado Jair Bolsonaro (PSL) seguiu na liderança nos cenários sem o ex-presidente Lula (PT), mas o grupo dos "não voto" segue indicando um ambiente de indefinição. Eis algumas das possíveis leituras a partir desta nova rodada de pesquisas eleitorais, a 4 meses do pleito:

1. O papel de Lula

A expressiva tendência de queda nas intenções de voto do ex-presidente Lula no cenário espontâneo mostra uma percepção maior no eleitorado de que ele não terá condições de participar do pleito. Por outro lado, a manutenção de patamares elevados na situação estimulada em que seu nome é considerado ressalta a manutenção de forte capital político, que, se bem canalizado, pode garantir uma das vagas para segundo turno. O peso do apoio de Lula foi bem registrado pela pesquisa Ipespe da última quinta-feira. Até o momento, a estratégia do PT tem sido insistir na candidatura de seu principal líder, a despeito do ambiente adverso. Uma das consequências desta decisão é a baixa pontuação de um nome do partido nos outros cenários avaliados pelas pesquisas, o que eleva o nível de dependência de um possível substituto na capacidade de Lula ser um bom cabo eleitoral. Neste sentido, o PT busca elevar o potencial de transferência de votos do ex-presidente, assim como preservar o possível substituto na corrida de ataques antes do início da campanha. Uma das fraquezas da dependência do lulismo, porém, é o elevado nível de rejeição ao ex-presidente.

2. Desafios de Bolsonaro

O deputado Jair Bolsonaro mostra estrutura de votos consolidada, com a manutenção de patamar elevado na pesquisa estimulada. Tal situação revela uma cristalização de parte do apoio ao parlamentar antes do pontapé inicial da campanha, na qual um dos principais desafios enfrentados será a falta de estrutura partidária, recursos e tempo de televisão. Apesar da confortável liderança nos cenários sem Lula neste momento, o deputado tem mostrado não conseguir superar o teto entre 1/5 e 1/4 do eleitorado. A despeito dos esforços recentes, a marcha em direção aos eleitores mais ao "centro" não tem surtido efeito visível. A vantagem confortável deste momento pode trazer surpresas ao longo do processo caso um adversário consiga avançar com êxito sobre a grande fatia de brancos, nulos e indecisos (que somam 1/3 do eleitorado nos cenários estimulados sem Lula e 69% no espontâneo). Com o bom desempenho de Bolsonaro, é natural esperar que adversários direcionem ataques a ele, o que já tem ocorrido por parte da campanha do ex-governador paulista Geraldo Alckmin.

3. Alckmin ainda pressionado

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) segue patinando nas pesquisas, o que sinaliza para uma manutenção do desconforto e desconfiança de aliados. Além de perder votos tradicionais do partido para Bolsonaro, o tucano também se depara com a sombra do senador Álvaro Dias (PODEMOS), competitivo sobretudo na região Sul do país. Embora enfatize que movimentos mais expressivos nas intenções de voto capturados pelas pesquisas só deverão ocorrer durante o período de campanha, Alckmin deve seguir pressionado. A sombra do ex-prefeito paulistano João Doria deve continuar existindo, apesar das poucas chances de se confirmar.

4. Problemas à centro-direita

Além do desempenho aquém do desejável para a candidatura da centro-direita que mais pontua neste momento, o espectro político enfrenta crescentes dificuldades. A escalada na desaprovação do governo do presidente Michel Temer torna mais complexos acenos a uma continuidade da agenda econômica, assim como a viabilidade da candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e qualquer possível aliança com o MDB. Desde a greve dos caminhoneiros, o risco do avanço de discursos populistas no processo eleitoral passou a chamar mais atenção dos analistas.

5. Marina Silva e Ciro Gomes

Enquanto não há clareza sobre a posição do PT na corrida presidencial se a esperada ausência de Lula for confirmada, os pré-candidatos Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT) brigam para herdar a faixa do eleitorado lulista. Enquanto a ex-senadora conta com expressivo recall nas situações estimuladas, mas poucos votos cristalizados nas espontâneas, e baixa estrutura partidária, recursos e tempo de televisão, o ex-governador do Ceará tem avançado com cautela e consistência. Ciro movimenta-se no campo das costuras políticas entre os mais distintos partidos, sem queimar muitas pontes (exceto no caso do MDB, escolhido como seu principal adversário nesta disputa). A nova rodada de flertes agora se dá com PP e DEM, em uma possível costura bastante heterodoxa. Fora da estrutura partidária, ele tem acenado para o mercado financeiro, a despeito da agenda econômica mais desenvolvimentista. Os planos de Ciro, contudo, podem ser prejudicados caso o PT lance uma candidatura própria. Outro desafio conhecido e muito comentado consiste no próprio temperamento do candidato. As possíveis alianças com lideranças tradicionais também podem fazer com que Ciro atraia para si a rejeição ao establishment político.

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