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Temer vê risco de implosão de candidatura governista e vai a FHC em busca da "salvação" do centro

Contudo, candidatos do centro ainda resistem a apoiar o nome de Geraldo Alckmin, que aparece como o mais bem cotado nas pesquisas, ainda que com baixa intenção de votos

FHC e Michel Temer
(Beto Barata / PR)

SÃO PAULO - Com uma candidatura do establishment ainda patinando nas pesquisas eleitorais para 2018, o presidente Michel Temer e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram na última terça-feira para discutir a necessidade de união do centro político e, desta forma, tentar impedir que a atual radicalização entre forças de esquerda e de direita domine o debate eleitoral no Brasil.

Segundo aponta a Folha de S. Paulo, com baixíssima popularidade e sem um candidato que defenda seu legado na ponta das pesquisas, Temer tem medo que uma candidatura governista imploda antes mesmo do início oficial da campanha, em agosto, e imponha uma derrota acachapante para a coalizão que o levou ao poder em 2016.

A conversa entre Temer e FHC, segundo aliados ouvidos pelo jornal, ainda não traçou um plano objetivo para o centro político, mas diagnosticou dois de seus principais problemas, aponta o jornal: a radicalização do cenário eleitoral, da qual o centro tende a não participar diretamente, e a grande quantidade de candidatos que se dizem de centro, sem proposta única e que disputam entre si.

Além do próprio Temer, que já mostrou desejo de concorrer à reeleição, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), tentam se viabilizar, mas não passam de 2% nas pesquisas. Já o tucano Geraldo Alckmin aparece mais bem colocado, mas, mesmo assim, ainda no segundo pelotão de candidatos - ele tem 8% das intenções de voto.

Obstáculos a Alckmin

Contudo, há obstáculos para a união entre Temer e Alckmin, com o presidente ainda procurando construir uma alternativa. "Uma das opções seria asfixiar a candidatura de Alckmin que, sem conseguir empolgar, obrigaria o PSDB a substitui-lo, por exemplo, pelo ex-prefeito de São Paulo João Doria, mais simpático ao presidente", aponta a reportagem. Alckmin também não gosta da ideia de firmar acordo com Temer,  impopular e alvo de investigações por corrupção. Porém, a sua dificuldade em decolar —e o medo de não ser derrotado precocemente— pode forçá-lo a fazer uma escolha mais pragmática.

Outros candidatos de centro resistem a diálogo para aliança com Alckmin, aponta o Valor Econômico. Um dos cotados para compor a aliança, inclusive como um possível vice de uma chapa com Alckmin, o senador e presidenciável Alvaro Dias (Podemos) descartou totalmente ao jornal a costura como está sendo feita. "Obviamente eu não participaria de uma composição com MDB e PSDB. Eu quero é justamente romper com o sistema que eles representam. O centro democrático que eu vejo não é esse", afirmou.

Para ele, seria muito mais atraente uma aproximação entre seu partido, o DEM e o PRB, com vistas a uma candidatura única. "São partidos com candidaturas, mas que se colocam num ambiente mais favorável ao entendimento", alega. O senador avalia que, se vingasse este acordo, poderia até mesmo abrir mão de encabeçar a chapa. "Poderíamos nos unir e, mais à frente, ver quem entre eu, Maia ou Flávio Rocha [PRB] têm mais chance. E se não fosse meu nome, eu apoiaria o candidato", afirmou.

Maia também sugere que Alckmin pode não ser o nome ideal para aglutinar as candidaturas consideradas de "centro". "Não que eu não respeite o governador, que não admire o que ele fez em São Paulo. Mas acho que está na hora de uma mudança, uma renovação".

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