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Em mercados / politica

Os 5 sinais dados pelo Datafolha sobre as eleições presidenciais no Brasil

Novo levantamento traz dúvidas ao mercado e eleva o risco de candidaturas desvinculadas a uma agenda de reformas econômicas

Eleições, urna eletrônica
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O fato de a pesquisa Datafolha divulgada no último domingo (16) ter sido realizada pouco tempo após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exige cautela na avaliação das informações apresentadas. De todo modo, há mensagens relevantes que os eleitores dão ao mundo político a menos de seis meses do primeiro turno da corrida presidencial. A primeira delas é a confirmação de um nível de insatisfação recorde com o sistema político vigente e os atuais representantes, o que se evidencia com a explosão de votos brancos e nulos.

Com o ex-presidente Lula no páreo, brancos, nulos e indecisos somam 15% ou 16%. Sem o petista, este número salta para 26% ou 27%, a depender do cenário considerado. Tal insatisfação também se evidencia nas escolhas dos eleitores entre os candidatos. A preferência por nomes como Jair Bolsonaro (PSL) e Joaquim Barbosa (PSB) reforça a vontade anti-establishment de parcela expressiva dos brasileiros. Apesar do primeiro ser parlamentar há décadas, sua plataforma tem sido de negação do sistema vigente. Sem Lula no páreo, ele e o ex-presidente do STF chegam a abocanhar juntos 27% das intenções de voto. Com isso, neste momento, o desejo pelo novo, apesar de seus riscos, vence a narrativa da segurança e da experiência.

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Outra leitura que os números do Datafolha permitem é o potencial eleitoral de Joaquim Barbosa. Embora ainda tenha de enfrentar grandes obstáculos dentro do PSB para viabilizar sua candidatura, o ex-magistrado tem capacidade de conquistar votos na direita e na esquerda simultaneamente. De um lado, pode cativar eleitores insatisfeito com os nomes tradicionais, sobretudo com a imagem que carrega de combatente à corrupção, que carrega desde os tempos do julgamento do mensalão. Do outro, Barbosa tem na sua biografia e possíveis acenos à agenda social ativos importantes para conquistar parte do eleitorado à esquerda. Com tantos órfãos de Lula, seu potencial pode crescer ainda mais.

Uma terceira interpretação possível da pesquisa divulgada no último domingo é que a prisão desgastou a imagem de Lula. Embora os cenários avaliados não sejam exatamente os mesmos da pesquisa anterior, é possível observar um recuo do ex-presidente nas respostas estimuladas e, sobretudo, nas espontâneas. "Apesar de ainda aparecer em primeiro lugar nos cenários em que é cotado, ele teve a maior variação negativa entre as duas pesquisas. E as dificuldades não param por ai. Apesar de 46% dizerem que com certeza ou talvez votariam em alguém indicado por Lula, quando são apresentados os cenários sem seu nome, os votos se dispersam. Ou seja, não há um herdeiro claro, o que torna mais urgente a mudança de estratégia do PT de insistir na sua candidatura", observou a equipe de análise da XP Investimentos.

Para um pouco mais da metade dos entrevistados, a prisão de Lula foi justa. Piorando a situação do ex-presidente, a despeito dos esforços do PT em levar sua candidatura até as últimas consequências, hoje 64% dos entrevistados acreditam que Lula não será candidato em outubro. O agravamento deste quadro pode forçar o PT a antecipar, a contragosto, um plano B. Este seria um momento ruim para o partido, que sairia da liderança das pesquisas com 30% das intenções de voto para ocupar papel coadjuvante, com o apoio de 2%.

A pesquisa também mostrou um quadro de dificuldades para Lula transferir votos, mas esta é uma avaliação que ainda demanda outros levantamentos para se confirmar. De todo modo, o que se observa neste momento é que, apesar da maior exposição no ato anterior à prisão de Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, nomes como Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB) não cresceram. Esta pode ser uma sinalização de que uma radicalização à esquerda não encontraria eco no eleitorado.

Um quinto sinal dado pela pesquisa Datafolha foi a teimosa inércia de Geraldo Alckmin (PSDB). O ex-governador de São Paulo enfrenta dificuldades de crescer, o que poderá elevar os questionamentos sobre a viabilidade de sua candidatura. Neste momento, uma grande preocupação do tucano é o fato de aparecer apenas tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro e Marina Silva em São Paulo, estado que governou por quase 14 anos. Levantamentos têm mostrado que Alckmin perdeu eleitores que tradicionalmente votavam no PSDB para candidatos como Jair Bolsonaro, o próprio Joaquim Barbosa e o senador Álvaro Dias (Podemos) -- este sobretudo no Sul do país.

Neste momento, não é apenas Alckmin que enfrenta dificuldades. Candidaturas localizadas mais na centro-direita têm apresentado desempenho ruim nas pesquisas. É o caso de nomes como Henrique Meirelles (MDB) e Rodrigo Maia (DEM), ambos com 1% das intenções de voto. Mesma pontuação têm Flávio Rocha (PRB) e João Amoêdo (NOVO).

Embora cronologicamente as eleições estejam próximas, na política elas estão um pouco mais distantes. Nesse sentido, as indicações dadas pelo Datafolha nesta nova pesquisa precisam ser observadas com cautela. Na maratona eleitoral de 2018, há uma série de outros fatores que ainda não começaram a interferir no processo, como estrutura partidária, tempo de televisão e recursos do fundo eleitoral. Além disso, é preciso ver quem sobreviverá ao aquecimento para disputar a corrida pra valer.

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