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Em mercados / politica

Para Eurasia, Alckmin é a "Hillary do Brasil" e melhor cenário é disputa entre Doria e Lula em 2018

De acordo com analistas políticos da consultoria, engana-se quem pensa que o risco real para as reformas é a candidatura de Lula - o maior risco é Alckmin ser o único candidato reformista

Geraldo Alckmin e João Doria
(Rovena Rosa / Agência Brasil)

SÃO PAULO - Em relatório sobre as eleições de 2018, a consultoria de risco político Eurasia Group fez um alerta para os investidores. De acordo com os analistas políticos da consultoria, engana-se quem pensa que o risco real para as reformas é a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece na frente das pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto. 

Para a Eurasia, o risco real é um cenário no qual o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, classificado pela consultoria como "Hillary Clinton do Brasil", seja o único candidato a defender a causa reformista. Isso porque Alckmin seria visto pelos eleitores como um político tradicional em uma eleição definida pela oposição ao "establishment". 

Nesse cenário de recusa aos políticos tradicionais, os candidatos anti-reforma podem ser mais competitivos. Já sobre Lula, a Eurasia afirma ser improvável que o petista possa concorrer devido a questões legais e também por enfrentar altas taxas de rejeição. 

A Eurasia aponta que o seu cenário base é o de que um candidato pró-reformista com credencial "anti-establishemnt" surja e vê o prefeito de São Paulo, João Doria, como esse nome atualmente. A consultoria ainda traçou três cenários para as eleições e qual seria o melhor para as reformas econômicas. O pior cenário seria Alckmin concorrer e o prefeito de São Paulo ficar de fora, enquanto o melhor cenário para o mercado seria Doria concorrer pelo PSDB e Lula disputar pelo PT. Confira os três cenários descritos abaixo: 

  1. I. O pior cenário para investidores: Alckmin concorre e Doria fica fora 
    O cenário mais arriscado para investidores e para as reformas é aquele em que Alckmin ganha a batalha dentro do PSDB e Doria fica de fora da corrida. "Não pensamos que isso seja provável, mas é uma possibilidade significativa", apontam os analistas. Segundo eles, enquanto Alckmin possa ser o vencedor das eleições, o caminho para ele seria difícil. Os consultores apontam que Alckmin é um político experiente, mas é do estabilishment por excelência - e os seus números nas pesquisas mostram que é exatamente isso o que os eleitores estão rejeitando.

Neste cenário, outros candidatos ganhariam forças, com nomes que vão desde Jair Bolsonaro a Ciro Gomes até Lula. "Não haveria um claro candidato anti-reformas bem posicionado para ganhar. Essa seria então uma eleição com muitos candidatos, cada um deles com sérios passivos eleitorais. Esta seria uma eleição mais difícil de fazer previsões", apontam os analistas políticos.

2. Melhor cenário para reformas: Doria concorrendo com Lula
O melhor cenário para as reformas  seria uma combinação de Doria concorrendo pelo PSDB e, paradoxalmente, Lula podendo também concorrer. Com Lula na corrida, o potencial de novos nomes subirem e disputarem um segundo turno diminuem. 

"Em todos esses cenários, há uma chance de um novo nome ser catapultado pela ira do eleitor. Mas, se Lula estiver concorrendo, é mais provável que haja um segundo turno entre Lula e Doria, no qual seria muito provável que o tucano ganhasse", apontam. Já se Lula não concorrer e Doria for o indicado tucano, o prefeito ainda teria uma vantagem, mas o campo estaria um pouco mais aberto para outros candidatos anti-establishment e sem uma pauta clara reformista, como o caso do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa.

 
3. O cenário intermediário: Doria e Alckmin são candidatos 
O cenário final e intermediário para os investidores é aquele em que Alckmin ganha as primárias do PSDB, e Doria opta por disputar o Planalto por um partido diferente - provavelmente o DEM. Segundo a Eurasia, dadas as ambições presidenciais de Doria, eles veem como difícil a hipótese do prefeito não concorrer e, desta forma, apostam no segundo ou terceiro cenário.

Porém, neste cenário, Doria poderia sofrer mais desgaste uma vez que concorreria contra o seu padrinho político e enfrentaria acusações de ser saído do cargo de prefeito prematuramente. Ele também não se beneficiaria do tempo de TV maior que ocorreria no primeiro cenário por conta da coalizão eleitoral. 

 "Mas pelo menos haveria em campo dois candidatos pró-reforma. Isso mitigaria o risco de um reformista não chegar a um segundo turno - e quem não chegar ao segundo turno teria o apoio recíproco do outro. Ainda achamos que Doria teria um melhor desempenho neste cenário, mas seria uma disputa mais fragmentada", afirma a Eurasia. 

Em conclusão, a Eurasia ressalta que 2018 ainda está a um ano de distância e o verdadeiro fator X na eleição é de que um novo nome que ninguém está falando possa emergir. "Essa é uma possibilidade real dada a profundidade da ira dos eleitores. Mas o fator real para rastrear a perspectiva de uma agenda de reforma pós-2018 não é Lula. É se alguém como Doria irá concorrer", afirmam os analistas.

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