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Analistas já passam a prever só 2 meses de Dilma - mas nada indica que futuro será fácil

Protestos devem acelerar impeachment, enquanto algumas casas já veem possibilidade de Dilma cair em maio - mas Lava Jato segue no radar de mais políticos

Michel Temer e Dilma Rousseff
(José Cruz/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff teve um fim de semana bastante conturbado. No sábado, a convenção do PMDB registrou um caráter fortemente oposicionista e aprovou uma moção que proíbe peemedebistas de assumirem qualquer novo cargo no governo.

A Executiva do partido e o diretório decidiram adiar em 30 dias a apreciação de moções que pedem a saída do partido do governo – ou pelo menos a declaração da independência das bancadas no Congresso -. Mas isso não significa que o principal partido da base aliada vai dar uma folga ao governo da presidente Dilma Rousseff. O que se buscou foi apenas ganhar tempo de forma a construir uma unidade no partido, conforme ressaltou o senador Romero Jucá (PMDB-RR). 

Já no domingo, as manifestações surpreenderam o governo. De acordo com dados da Polícia Militar, 3,6 milhões foram às ruas, sendo 1,4 milhão na cidade de São Paulo (segundo o Datafolha, 500 mil foram à Avenida Paulista). Mas quais foram as consequências destes últimos dias sobre o já enfraquecido governo Dilma?

A consultoria Eurasia disse em relatório hoje que os protestos maciços deste domingo podem levar Dilma a ser afastada mais rápido do que o previsto. Um impeachment poderia ocorrer ainda em maio, diz a consultoria americana. O presidente da Câmara Eduardo Cunha, ele próprio tendo o posto ameaçado, teria previsto a votação do impeachment para ocorrer em 45 dias.

Se o enfraquecimento de Dilma é claro, o mesmo não se pode dizer das perspectivas de um eventual novo governo. O vice Michel Temer, que será o novo presidente em caso de impeachment, tem a Lava Jato como seu ”calcanhar de Aquiles”, diz a Eurasia. A consultoria não concorda com a avaliação de que, caso Dilma caia, o juiz Sérgio Moro se tornará menos agressivo em suas investigações. Um eventual governo Temer, segundo a Eurasia, estaria sujeito a investigações que poderiam erodir seu capital político, dificultando a aprovação de reformas.

Porém, para a MB Associados, que também vê Dilma devendo cair em maio, há mais prós do que riscos em um eventual governo Temer. "Depois de ontem já é possível começar a trabalhar com cenário sem a presidente”, que não tem mais “capacidade de aglutinar nenhuma força a seu redor”, afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, em entrevista à Bloomberg. 

Para Vale, “Temer estaria mais preparado para isso agora e poderia montar uma agenda mínima de negociação com o Congresso e uma equipe mais coordenada, com viés mais reformista”. Os riscos para Temer podem existir, “mas não dá para saber como será com um novo governo totalmente diferente e não se sabe ainda exatamente o que tem nas delações sobre o vice. Isto está muito em aberto ainda”, afirmou. Ele afirma que o PSDB deve fazer composição como PMDB para “um mínimo de governabilidade. Há tempo hábil ainda de consertar os estragos feitos e isso poderá ajudar e muito a quem for eleito em 2018”.

Conforme destaca a Rosenberg Associados, a única certeza, é que dificilmente conseguiremos encontrar algum equilíbrio político próximo ao vivido até um mês atrás. "A presidente está bastante enfraquecida e o mais provável é que caia ou ceda o poder (com Lula ministro ou com uma alteração do sistema de governo). As próximas semanas serão de fortes emoções; a temperatura da crise política está aumentando". 

Assim, algo também é certo neste cenário, como aponta a LCA: "as manifestações deste final de semana certamente ressoarão no Congresso Nacional e poderá estimular novas saídas de partidos da base governistas, além de pressionar os deputados indecisos pelo impeachment da presidente".  

O fator PMDB
Conforme destacou a Maria Hermínia Tavares de Almeida, pesquisadora do Cebrap e professora titular da USP, em teleconferência da GO Associados, 
o governo está dependendo neste momento da decisão do PMDB, de se haverá afastamento ou se haverá um acordo com o maior partido da base aliada. 

Para Maria Hermínia, ainda é difícil saber como o PMDB decidirá o desembarque do governo: um cálculo que eles podem fazer é a perspectiva de ter a presidência, ao mesmo tempo em que há muita incerteza sobre a operação Lava Jato, que não dá sinais de arrefecimento e também deve atingir o partido. "Há muita incerteza sobre quem vai sobrar neste jogo". 

O mesmo raciocínio é feito por Angela Alonso, presidente do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), também em teleconferência realizada pela GO. "Precisamos visualizar em que medida se dará essa ação do juiz Sérgio Moro, se ela se prosseguirá também para os peemedebistas. Se prosseguir, um eventual governo pode não estar a salvo. Pode momentaneamente melhorar, mas se as investigações prosseguirem e avançarem pelo PMDB, o novo governo - no caso, o Temer - estaria sob ameaça". Assim, essa massa que foi à rua contra a Dilma Rousseff também vai à rua também contra Temer. 

Próximos eventos no radar
Além disso, correndo por fora, a LCA Consultores ressalta um outro fator: o plenário do STF julgará as ações apresentadas pelo presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha, contra as regra do rito deste processo, definidas em dezembro pelo Supremo. Cunha disse que instalará a comissão que examinará o pedido de impeachment no dia seguinte à decisão do STF. O relator dessas ações neste julgamento será o Ministro Luís Barroso, que foi o principal defensor destas regras. 

Já Angela Alonso ressalta ainda que um novo evento decisivo para o governo deve ser o próximo dia 18 de março, quando haverá uma manifestação em apoio ao governo e a Lula. A manifestação não deve ter a extensão da anti-governo, avalia, mas deve dar a ideia de que o governo ainda conta com o apoio de parte da população. "A situação é dramática e, se a manifestação malograr em algo reduzido, isso sim pode gerar um desembarque [da base aliada] em massa. Fim de semana que vem será esperar para ver", avalia. Desta forma, o governo ainda será de fortes emoções nesta semana. 

(Com Bloomberg e Reuters) 

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