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Lula disse a delegado da PF que só sairia de casa algemado

Em relatório da PF, tornado público neste domingo, delegado afirma que ex-presidente se negou a sair do seu apartamento para prestar depoimento na sexta-feira, quando foi deflagrada nova fase da Operação Lava Jato

Lula
(Paulo Pinto/Fotos Públicas)

SÃO PAULO - O delegado da Polícia Federal Luciano Flores, que conduziu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento no âmbito da Operação Lava Jato, prestou informações ao juiz federal Sérgio Moro neste domingo (6) que Lula disse que só sairia do apartamento algemado. Ele só aceitou acompanhar os policiais, segundo o delegado, após ser aconselhado pelo advogado. Desta forma, conforme a PF, houve o cumprimento do mandado de condução coercitiva expedido pela Justiça Federal no Paraná.

O delegado relata um breve diálogo que teve com o ex-presidente, assim que chegou ao seu apartamento, às 6h, em São Bernardo do Campo. "Informei ao ex-presidente Lula que deveríamos sair o mais rápido possível daquele local, em razão da necessidade de colhermos suas declarações, a fim de que sua saída do prédio fosse feita antes da chega de eventuais repórteres e/ou pessoas que pudessem fotografar ou filmar tal deslocamento".

Nesse momento, segundo o delegado, Lula se negou a acompanhá-lo e "foi dito por ele que não sairia daquele local, a menos que fosse algemado. Disse ainda que se eu quisesse colher as declarações dele, teria de ser ali. Respondi então que não seria possível fazer sua audiência naquele local por questões de segurança", informou o delegado, em documento tornado público pela Justiça Federal do Paraná.

Pelo relato, Lula foi informado de que, caso se recusasse a acompanhar a autoridade policial, seria então aplicada a condução coercitiva, isto é, ele seria levado à força para depor. Após isso, ele teria conversado por telefone com o advogado Roberto Teixeira e concordou em ir prestar depoimento.

Já no Aeroporto de Congonhas, Lula e Teixeira conversaram a sós por 15 minutos antes de iniciar o depoimento, que durou três horas, e foi gravado em áudio e vídeo tanto pela Polícia Federal quanto pelos advogados de Lula, que utilizaram um celular para fazer as imagens.

Segundo o delegado, após a assinatura do termo de declarações, foi permitida a entrada de parlamentares que "batiam na porta e chegaram a forçar para entrar naquele recinto, durante a audiência". O relatório encerra com o delegado dizendo que ofereceu, "de forma insistente", segurança da Polícia Federal para acompanhar o ex-presidente na saída do aeroporto. Lula respondeu que "preferiria sair dali com seus companheiros de partido e seus advogados, em veículo próprio".

Polêmica
Depois do depoimento, Lula criticou o mandado de condução coercitiva, alegando que sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos. O ex-presidente afirmou ainda que se sentiu "como um prisioneiro" ao ser conduzido pela Polícia Federal.

Hoje, os advogados dele, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, divulgaram nota na qual repudiam as declarações dos procuradores da República integrantes da força-tarefa Lava Jato feitas ontem (5). O MPF mitiu nota defendendo a medida e classificando a polêmica como "uma falsa controvérsia". Para os advogados do ex-presidente, as declarações dos procuradores são uma "desesperada tentativa de legitimar a arbitrária condução coercitiva do ex-presidente na sexta-feira".

De acordo com a nota, publicada no site do Instituto Lula, a condução coercitiva é uma medida que cerceia a liberdade de ir e vir e jamais poderia ter sido requerida ou autorizada nos termos em que se deu. "O fato de a Operação Lava Jato já ter emitido 117 mandados de condução coercitiva não tem o condão de legitimar a ilegalidade agora praticada contra o ex-presidente Lula, mas, ao contrário, serve de alerta para tantas outras arbitrariedades que poderão já ter sido praticadas nessa operação", defendem os advogados.

Segundo eles, a tentativa de vincular Lula a esquema de formação de cartel e corrupção da Petrobrás "apenas atende anseio pessoal das autoridades envolvidas na operação", além de configurar infração de dever funcional. "O MPF aposta na força das palavras em detrimento dos fatos. Lula jamais participou ou foi beneficiado, direta ou indiretamente, de qualquer ato ilegal", diz a nota.

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