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Nestor Cerveró liga Lula a empréstimo de R$ 12 mi investigado na Lava Jato

Ex-diretor da área internacional da Petrobras ligou sua nomeação a um cargo em 2008 à gratidão por viabilização de um empréstimo; Renan teria reclamado de falta de propina

Lula - Milão
(Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

SÃO PAULO - O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, em delação premiada, ligou sua nomeação para um cargo público em 2008, no governo Lula, a um empréstimo de R$ 12 milhões investigado na Lava Jato, informa a Folha de S. Paulo. O cargo seria um "reconhecimento" para quitar o empréstimo considerado "fraudulento". É a primeira vez que um delator do caso envolve Lula diretamente no episódio.

O empréstimo foi intermediado pelo pecuarista José Carlos Bumlai, que, apesar de não ter envolvido Lula no caso, admitiu tê-lo feito com o Banco Schahin em 2004 para quitar dívidas do PT. Anos depois, sob o comando de Cerveró, a Petrobras contratou a Schahin Engenharia por US$ 1,6 bilhão para a operação de um navio-sonda, o Vitoria 10.000.

Cerveró contou que Lula "decidiu indicar" seu nome para o novo cargo "como reconhecimento da ajuda do declarante [Cerveró]", ou seja, por ele "ter viabilizado a contratação da Schahin como operadora da sonda". A atuação também rendeu a Cerveró "um sentimento de gratidão do PT". 

Para a PF, o contrato do Vitoria 10.000 pode ter sido um modo do PT compensar o grupo pelo dinheiro dado por Bumlai em 2004, aponta a Folha. A propina estimada na contratação do navio-sonda é de US$ 25 milhões.

O Instituto Lula informou que não iria se manifestar sobre as declarações do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. "Não comentamos vazamentos ilegais, seletivos e parciais de supostas alegações que alimentam a um mercado de delações sem provas em troca de benefícios penais", afirmou o instituto.

Collor e Dilma
No depoimento, Cerveró atribuiu ainda a Lula a decisão de ter "concedido influência sobre a BR Distribuidora" ao senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), um poder semelhante concedido pela presidente Dilma Rousseff ao parlamentar. Cerveró afirmou que, por volta de setembro de 2013, foi chamado a Brasília para uma reunião com Collor na Casa da Dinda, residência do senador. Na ocasião, o senador disse ter falado com Dilma, "a qual teria dito que estavam à disposição de Fernando Collor a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora". O Planalto não quis comentar. 

Renan Calheiros
Cerveró ainda afirmou que, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) "reclamou da falta de repasse de propina" por parte do delator. Ele falou em depoimento de  duas reuniões com a participação do peemedebista nas quais o tema da propina foi discutido.

 Cerveró revelou que numa delas, em 2009, estavam presentes, além do senador alagoano, o então presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e um "representante" do senador Fernando Collor (PTB-AL), o ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos.

Cerveró contou que o segundo encontro com Renan ocorreu no ano de 2012, quando o senador o teria chamado, em seu gabinete, para reclamar da falta de repasses de propina. O ex-diretor da estatal contou que o então diretor teria dito a Renan que não estava arrecadando propina na BR Distribuidora. Ao saber disso, "Renan Calheiros disse que a partir de então deixava de prestar apoio político" a Cerveró. 

A assessoria de imprensa de Renan Calheiros informou que o senador "nega as imputações e esclarece que já prestou as informações requeridas". 

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